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Fatores de risco para demência começam na infância

Estudos revelam que fatores de risco para demência podem surgir desde a infância. Conheça as descobertas de pesquisa sobre como intervenções precoces podem impactar a saúde cerebral futura.

fatores de risco para demência

A demência é frequentemente associada à velhice, mas pesquisas recentes revelam que alguns fatores de risco podem ter início muito antes do envelhecimento. Estudos de 2023 e 2024 indicam que condições no útero materno, na infância e na juventude influenciam significativamente a saúde cerebral décadas depois.

Um trabalho conjunto entre pesquisadores da Suécia e da República Tcheca identificou fatores de nascimento ligados a um risco ligeiramente elevado de demência. Entre eles, a idade materna acima de 35 anos e intervalos curtos entre gestações. Outros, como ser gêmeo, não são modificáveis, mas alertam para a complexidade do tema.

Risco no início da vida e na juventude

Estudos de longo prazo mostram que a capacidade cognitiva na infância está fortemente relacionada ao desempenho mental na velhice. Cientistas observaram que adultos com habilidades cognitivas reduzidas aos 70 anos muitas vezes já apresentavam essas características aos 11 anos, sugerindo que diferenças cerebrais podem ser estáveis ao longo da vida.

Lesões cerebrais na juventude e alterações detectadas em exames de imagem também indicam que fatores precoces, como exposição à poluição ou má nutrição, podem deixar marcas duradouras. Isso reforça a ideia de que a prevenção deve começar cedo.

Intervenções em diferentes escalas

A equipe do Global Brain Health Institute (GBHI) destacou a importância de ações em três níveis. No individual, campanhas educativas e políticas que taxem álcool e tabaco seriam essenciais. Em comunidades, conselhos com jovens poderiam criar programas locais de promoção da saúde cerebral. No plano nacional, a criação de uma carta compromisso com metas de longevidade saudável foi sugerida.

Novos desafios emergentes

Além dos fatores conhecidos, como sedentarismo e isolamento social, especialistas alertam para variáveis em estudo, como o impacto de alimentos ultraprocessados, exposição à tela e microplásticos. Laura Booi, gerontóloga do GBHI, ressalta que jovens estão mais engajados com o tema, especialmente por causa do interesse em condições como TDAH e autismo.

Essas descobertas, publicadas no periódico The Lancet: Healthy Longevity, reforçam que a demência não é apenas um problema do envelhecimento, mas o resultado de trajetórias que começam desde o útero. A prevenção, portanto, exige uma abordagem contínua ao longo da vida.

Matéria original: https://www.sciencealert.com/the-roots-of-dementia-trace-back-all-the-way-to-childhood-experts-reveal

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