Pesquisadores da Universidade McGill descobriram uma maneira de turbinar as células matadoras naturais do corpo, aquelas que funcionam como sentinelas contra tumores malignos. A estratégia funciona bloqueando duas proteínas específicas e, diferentemente de outras terapias, não altera permanentemente o DNA das células de defesa.
O avanço surgiu nos laboratórios do Instituto de Câncer Rosalind & Morris Goodman, onde cientistas testaram essa abordagem em células de leucemia, glioblastoma, câncer renal e câncer de mama triplo-negativo. Em modelos animais, o tratamento conseguiu desacelerar significativamente o crescimento dos tumores.
Uma estratégia reversível e controlável: Células contra o câncer
O que diferencia essa pesquisa de outras imunoterapias é um detalhe fundamental: em vez de fazer mudanças genéticas permanentes nas células, os pesquisadores usaram medicamentos de pequenas moléculas para ampliar temporariamente a atividade das células matadoras. Isso significa que, se aparecerem efeitos colaterais inesperados, é possível reverter o processo.
“Essa abordagem é particularmente promissora para pacientes que esgotaram as opções de tratamento convencional”, explica Dr. Michel L. Tremblay, professor e pesquisador sênior da instituição canadense.
A segurança ampliada vem do fato de os efeitos serem controláveis e reversíveis. Muitas terapias modernas usam engenharia genética para reprogramar permanentemente as células imunológicas, o que funciona em alguns casos, mas carrega riscos difíceis de contornar caso algo dê errado.
Praticidade que muda o acesso ao tratamento
Outra vantagem impressionante está na praticidade. As células usadas no estudo vieram de sangue doado de cordão umbilical. Uma vez isoladas, cultivadas e armazenadas no laboratório de terapia celular de McGill, essas mesmas células poderiam servir para tratar múltiplos pacientes.
Isso contrasta radicalmente com muitas imunoterapias vigentes, que exigem coletar e personalizar as próprias células imunológicas de cada paciente. Esse processo consome semanas, custa caro e envolve procedimentos complexos.
“Essas células matadoras ficam prontas para usar imediatamente”, afirmam os pesquisadores. Chu-Han Feng, cientista da pesquisa no Instituto Rosalind & Morris Goodman, reforça: “Evitamos o complexo processo de personalização celular e usamos medicamentos já disponíveis para amplificar de forma reversível as atividades anti-tumor.”
Próximos passos: testes em humanos
A equipe pretende levar a terapia para ensaios clínicos em seres humanos. Um dos primeiros focos seria a leucemia mieloide aguda, um câncer sanguíneo agressivo que deixa poucos caminhos terapêuticos para muitos pacientes diagnosticados.
Os testes propostos aguardam agora por financiamento e aprovação regulatória. O estudo que revelou esses resultados foi publicado em abril de 2026 na revista EMBO Reports, com apoio de instituições como os Institutos Canadenses de Pesquisa em Saúde e a Fundação McGill University Health Centre.
Matéria original: https://www.sciencedaily.com/releases/2026/05/260523103910.htm






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