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Perda de peso pode reverter danos cardíacos em obesos, indica estudo

Estudo revela que perda de peso pode reverter danos no músculo cardíaco em pacientes com obesidade e insuficiência cardíaca. Descubra como a redução do IMC melhora a função celular.

obesidade e insuficiência cardíaca

A obesidade eleva riscos de insuficiência cardíaca, mas perda de peso pode reverter danos no músculo cardíaco. Pesquisa publicada na revista Science revela que redução do índice de massa corporal (IMC) melhora a capacidade de contração das células musculares do coração em pacientes com obesidade grave e insuficiência cardíaca com fração de ejeção preservada (HFpEF).

Obesidade e Insuficiência Cardíaca: A Ligação Científica

Pesquisadores da Universidade Johns Hopkins analisaram biópsias de células musculares cardíacas de 80 pacientes com obesidade e HFpEF. Comparando grupos com IMC mais baixo (30 participantes) e mais alto (50 participantes), detectaram que células de pessoas com obesidade grave apresentavam redução significativa na capacidade de gerar força muscular, similar à observada em pacientes com insuficiência cardíaca terminal.

Alterações na proteína troponina-I, responsável por contração e relaxamento muscular, foram identificadas como fator-chave. A fosforilação excessiva dessa proteína, associada ao aumento do IMC, enfraquecia a contratilidade das células. Pacientes que perderam mais de 2kg/m² de IMC com uso de agonistas do GLP-1 (medicações para obesidade e diabetes tipo 2) mostraram recuperação significativa na função celular.

Mecanismos que Conectam Obesidade a Coração e Pulmões

A obesidade afeta múltiplos sistemas corporais. Estudos indicam que o excesso de tecido adiposo altera volume sanguíneo, pressão arterial e vias inflamatórias, aumentando a carga sobre o coração. Além disso, pesquisas não publicadas em revista científica apontam que a obesidade reduz capacidade pulmonar em idosos, causando dificuldade respiratória – sintoma compartilhado pela HFpEF.

O HFpEF, responsável por 50% dos casos de insuficiência cardíaca, está mais presente em pessoas com obesidade. Embora apenas 5% dos obesos graves nos EUA desenvolvam essa condição, a relação entre IMC elevado e disfunção cardíaca é clara. O aumento da pressão contra a qual o coração precisa bombear sangue, associado a resistência insulínica e apneia do sono, explica esse padrão.

Resultados Promissores com Terapias para Emagrecimento

Em grupo de 16 pacientes com IMC médio de 39, tratamento com agonistas do GLP-1 por 18 meses resultou em recuperação parcial da força muscular cardíaca. Quem perdeu 10% ou mais do peso corporal viu suas células musculares recuperarem quase 80% da função normal. A redução na fosforilação da troponina-I e resposta ao cálcio explicam esses ganhos.

David Kass, cardiologista da Johns Hopkins, destaca que medicamentos capazes de reverter diretamente essas alterações ainda não foram aprovados. “Alguns compostos deram resultados em células humanas, mas falharam em testes clínicos. Há trabalho urgente para identificar terapias eficazes”, afirma.

Desafios e Perspectivas Futuras

Naveed Sattar, especialista em medicina cardiometabólica da Universidade de Glasgow, lembra que o HFpEF evoluiu de condição rara a problema comum nas últimas duas décadas. “Melhoramos no controle da hipertensão, mas a obesidade avançou”, ressalta. Ainda que a relação entre peso e função cardíaca seja clara, pesquisas adicionais são necessárias para entender os mecanismos biológicos exatos envolvidos na recuperação celular após a perda de peso.

Cheng-Han Chen, cardiologista do MemorialCare Saddleback Medical Center, reforça que os efeitos observados podem ser resultado direto das medicações ou da perda de peso em si. “Precisamos diferenciar se os agonistas do GLP-1 têm ação específica no coração ou se os benefícios são mediados pela redução do peso corporal”, conclui.

Matéria original: https://www.medicalnewstoday.com/articles/severe-obesity-may-weaken-heart-health-but-weight-loss-may-help-reverse-this

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