Como o Sistema de “Limpeza” do Cérebro Enfraquece com o Envelhecimento
Um novo estudo revela que o sistema de “limpeza” do cérebro apresenta falhas com a idade. Além disso, neurônios muito longevos transferem proteínas velhas e agrupadas para outras células cerebrais. Essas proteínas participam da sinalização celular nas sinapses, pequenas conexões entre neurônios. Entretanto, na terceira idade, essas proteínas não se decompõem com facilidade e começam a entupir as sinapses.
O Papel das Células de Suporte no Cérebro
As células chamadas microglia entram em ação para ajudar, podando sinapses entupidas e mantendo a atividade neuronal. Porém, acredita-se que essa limpeza possa prejudicar a comunicação entre as células cerebrais a longo prazo. Portanto, a recuperação da função cerebral pode estar comprometida.
Implicações para Doenças Neurodegenerativas
Essas descobertas unem diferentes áreas do nosso entendimento sobre doenças neurodegenerativas e apontam para possíveis novas estratégias terapêuticas. A perda e a disfunção das sinapses associam-se ao declínio cognitivo relacionado à idade e são observadas em condições como o Alzheimer.
Mecanismos da Degradação Proteica e Saúde Neuronal
Ian Guldner, neurocientista da Universidade de Stanford, explica: “Não pretendíamos focar nas sinapses inicialmente, mas nos mecanismos de declínio geral da saúde e função dos neurônios com a idade. No entanto, descobrimos que as proteínas sinápticas são particularmente vulneráveis à desaceleração na degradação e à formação de agregados.” Portanto, entender esse processo é fundamental.
O Complexo Trabalho das Sinapses
Com cerca de 86 bilhões de neurônios no cérebro, cada um comunicando-se com até 10 mil outros, existem mais de um quatrilhão de sinapses. Além disso, essas conexões dependem de proteínas sinápticas que ajudam no crescimento dos neurônios, direcionam a formação das sinapses e regulam a liberação de neurotransmissores, os mensageiros químicos do cérebro.
Estudo e Metodologia
Para entender como a reciclagem proteica muda com a idade, os pesquisadores marcaram e acompanharam milhares de proteínas em camundongos jovens, de meia-idade e idosos. Eles criaram um tipo inovador de marcador biológico incorporado às proteínas durante sua síntese, permitindo observar sua duração antes da degradação e reciclagem.
Resultados da Pesquisa
Os experimentos mostraram que células cerebrais de camundongos com 24 meses — considerados idosos — reciclam proteínas com menor eficiência do que aquelas com 4 meses. Além disso, neurônios de camundongos idosos levam o dobro do tempo para reciclar as proteínas neuronais, permitindo maior acúmulo de proteínas desgastadas. Esse fenômeno começa a se manifestar após a meia-idade.
Visualizações indicam células cerebrais (em vermelho) e agregados proteicos (em verde), com acúmulo muito menor nos camundongos jovens quando comparados aos idosos.
O Papel Fundamental das Microglia e Implicações para o Cérebro
Além de eliminar proteínas residuais, as microglia também podam sinapses danificadas para manter conexões saudáveis. No entanto, Guldner alerta: “Se as microglia estiverem sobrecarregadas com proteínas danificadas das sinapses, podem se tornar disfuncionais, o que prejudica a saúde cerebral.”
Entendendo o Agravamento das Doenças Cerebrais
Embora ainda não se saiba por que as proteínas sinápticas ficam mais propensas a formar agregados, o estudo sugere um mecanismo que conecta a perda sináptica e a disfunção das microglia. Portanto, essa cadeia de eventos pode contribuir para o desenvolvimento de doenças neurodegenerativas na velhice.
Conheça Mais Sobre Saúde Cerebral e Envelhecimento
Para aprofundar esse assunto, leia também nosso artigo sobre longevidade humana, que revela novos segredos do envelhecimento saudável e seus impactos no cérebro.
Matéria original: https://www.sciencealert.com/a-hidden-brain-process-may-help-explain-why-alzheimers-risk-rises-with-age






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