A apendicectomia, cirurgia de remoção do apêndice, é um dos procedimentos de emergência mais realizados no mundo e um dos mais comuns no SUS. Na maioria dos casos, é feita por via laparoscópica, com duas ou três pequenas incisões, câmera e instrumentos guiados por vídeo. O procedimento dura em média 30 a 60 minutos e a maioria dos pacientes recebe alta em um ou dois dias.
Por que o apêndice é removido?
O apêndice é um pequeno tubo de tecido que se projeta do intestino grosso, no canto inferior direito do abdômen. Quando fica inflamado, o quadro é chamado de apendicite. A dor começa geralmente em torno do umbigo e migra para o lado inferior direito, acompanhada de febre baixa, náusea e falta de apetite. Sem tratamento, o apêndice pode romper e provocar peritonite, uma inflamação grave da cavidade abdominal com risco de vida.
A cirurgia é o tratamento padrão na quase totalidade dos casos. O apêndice não tem função fisiológica essencial estabelecida e sua remoção não afeta a digestão nem o funcionamento do organismo de forma clinicamente relevante.
Quais são os tipos de apendicectomia?
A laparoscópica é o padrão atual na maioria dos hospitais. O cirurgião faz duas ou três incisões de 0,5 a 1 cm, insere um laparoscópio (câmera de alta resolução) e os instrumentos cirúrgicos. A cavidade abdominal é inflada com dióxido de carbono para criar espaço de visibilidade. O apêndice é localizado, seu suprimento sanguíneo é ligado e ele é removido por uma das incisões. As vantagens incluem menor dor pós-operatória, menos risco de infecção e recuperação mais rápida.
A cirurgia aberta usa uma incisão única maior, de 5 a 10 cm, no abdômen inferior direito. É reservada para casos em que o apêndice já rompeu, quando há infecção disseminada na cavidade ou quando complicações surgem durante a laparoscopia.
Como é realizada a cirurgia laparoscópica?
Anestesia geral é administrada antes do procedimento. O cirurgião faz a primeira incisão, geralmente próxima ao umbigo, para inserir o laparoscópio. As demais incisões recebem os instrumentos de corte e sutura.
O abdômen é preenchido com CO2 para afastar os órgãos e permitir visualização clara no monitor. O cirurgião identifica o apêndice, isola-o das estruturas adjacentes, secciona os vasos que o irrigam, clipa ou sutura a base e o retira por uma das incisões. O gás é liberado, os instrumentos são removidos e as incisões são fechadas com pontos absorvíveis ou grampos. O procedimento completo dura entre 30 e 60 minutos em casos sem complicação.
Assista ao procedimento
O vídeo a seguir mostra imagens reais de apendicectomia laparoscópica. Não recomendado para quem tem aversão a cenas médicas.
Como é a recuperação?
Após a laparoscopia, a maioria dos pacientes fica em observação por um a dois dias. A dieta começa com líquidos e avança para alimentos sólidos conforme a tolerância. A dor pós-operatória é controlada com analgésicos.
Atividades leves podem ser retomadas em cerca de uma semana. Esforços físicos maiores, como levantar peso, são evitados por duas a três semanas. Cirurgias abertas exigem internação mais longa, de dois a cinco dias, e recuperação de quatro a seis semanas.
Os sinais que exigem retorno imediato ao serviço de saúde são febre acima de 38,5°C, dor crescente na incisão, vermelhidão ou secreção no local operado e vômitos persistentes após a alta.
Quando procurar atendimento de emergência?
Dor abdominal intensa no quadrante inferior direito, especialmente com febre e náusea, exige avaliação médica imediata. A apendicite não melhora espontaneamente. Em crianças, idosos e gestantes, o quadro clínico pode ser atípico e a progressão para ruptura, mais rápida.
No Brasil, o atendimento pode ser buscado em Unidades de Pronto-Atendimento (UPA) e prontos-socorros hospitalares do SUS, sem necessidade de agendamento. O diagnóstico é feito por exame clínico e pode ser confirmado por ultrassom ou tomografia computadorizada.
Perguntas frequentes sobre a cirurgia de apêndice
A remoção do apêndice deixa cicatriz?
Na laparoscopia, ficam duas ou três marcas de 0,5 a 1 cm que, em geral, tornam-se pouco visíveis após alguns meses. Na cirurgia aberta, a cicatriz é maior e localizada no lado direito inferior do abdômen.
É possível viver normalmente sem o apêndice?
Sim. O apêndice não tem função fisiológica essencial estabelecida nos adultos e sua ausência não afeta a digestão nem o sistema imunológico de forma clinicamente relevante.
A cirurgia de apêndice é feita pelo SUS?
Sim. A apendicectomia é realizada gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde em hospitais públicos e conveniados em todo o Brasil. Por ser cirurgia de emergência, o atendimento não requer agendamento prévio.
Quanto tempo dura a cirurgia de remoção do apêndice?
Em casos sem complicação, a laparoscopia dura entre 30 e 60 minutos. Casos com apêndice perfurado ou infecção mais extensa podem exigir mais tempo e abordagem aberta.
A apendicectomia tem riscos?
Como qualquer cirurgia sob anestesia geral, a apendicectomia tem riscos, incluindo infecção da ferida, sangramento e, raramente, lesão de órgãos adjacentes. O risco de complicações graves é baixo em casos sem ruptura e aumenta significativamente quando o apêndice já perfurou.
Este conteúdo é informativo e não substitui avaliação médica. Dor abdominal intensa, especialmente acompanhada de febre, é sinal de emergência e deve ser avaliada em serviço de saúde sem demora. Não tente diagnosticar apendicite em casa.
Referências
National Health Service (NHS). Appendicitis. Disponível em: nhs.uk
Mayo Clinic. Appendectomy. Disponível em: mayoclinic.org
American College of Surgeons (ACS). Appendectomy. Disponível em: facs.org






Deixe seu comentário