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Gene de risco para Alzheimer altera atividade cerebral cedo

Descubra como o gene APOE4 altera a atividade cerebral precocemente no Alzheimer e as possibilidades de reversão. Entenda os avanços e tratamentos.

apoe4

Como o gene APOE4 aumenta o risco de Alzheimer

Carregar uma ou duas cópias da variante genética APOE4 aumenta significativamente o risco de desenvolver Alzheimer. Além disso, um novo estudo revela como o APOE4 pode alterar a atividade dos neurônios – potencialmente muitos anos antes dos sintomas, como a perda de memória, começarem a aparecer.

Efeitos do APOE4 no cérebro jovem

Em camundongos jovens geneticamente modificados para portar o APOE4, pesquisadores observaram que neurônios específicos apresentavam tamanho reduzido e hiperatividade em áreas do hipocampo, que é o centro de memória do cérebro. Além disso, eles identificaram a proteína Nell2, que contribui para essa alteração e pode ser uma via para reverter os danos em casos avançados.

Descobertas do estudo

Segundo o neurocientista Misha Zilberter, do Gladstone Institute of Neurological Disease, nos EUA, essa foi a primeira pesquisa que examinou como o APOE4 afeta a função neuronal em diferentes idades. Eles descobriram mudanças fundamentais nos circuitos cerebrais de camundongos jovens, que ainda apresentavam aprendizado e memória normais. Entretanto, essas alterações previam déficits cognitivos em idades mais avançadas.

Comparação entre APOE4 e APOE3

Pesquisas anteriores em humanos já associaram o APOE4 à hiperatividade do hipocampo em pessoas com comprometimento cognitivo leve ou em risco de Alzheimer. Entretanto, esse estudo permitiu analisar essa relação com mais detalhes em modelos animais.

Usando diversas técnicas, a equipe observou neurônios hiperativos em camundongos jovens com APOE4. Além disso, esses neurônios tinham seu tamanho reduzido, o que aumentava a excitabilidade. Os pesquisadores também compararam com camundongos portadores da variante genética APOE3, que apresenta risco menor para Alzheimer.

No grupo APOE3, os neurônios só aumentaram a atividade em idades mais avançadas. Ademais, esses animais não desenvolveram problemas cognitivos, ao contrário dos APOE4.

Potencial reversão dos danos

As investigações mostraram o papel crucial da proteína Nell2, abundante nos neurônios dos camundongos com APOE4. Os pesquisadores acreditam que ela seja o mecanismo molecular por trás do envelhecimento cerebral precoce causado por essa variante.

Ao bloquear a produção de Nell2 nos modelos animais, os neurônios recuperaram seu tamanho normal e padrões regulares de atividade elétrica. Portanto, essa descoberta aponta para possíveis tratamentos que poderão surgir no futuro.

“O que torna Nell2 empolgante é que conseguimos reverter os sintomas da doença em camundongos adultos ao diminuir seus níveis”, afirma o neurocientista Yadong Huang, do Gladstone. Isso indica que os danos não são irreversíveis e que pode existir uma janela para intervenção, mesmo após o início dos processos da doença.

Contexto e relevância da pesquisa

Essas descobertas corroboram pesquisas anteriores de Alzheimer. Por exemplo, já foram encontrados altos níveis da proteína Nell2 nos cérebros de pacientes com Alzheimer, mas essa é a primeira vez que a proteína é associada diretamente ao APOE4 em modelos animais.

Alzheimer é uma condição complexa, com múltiplos fatores de risco. Além disso, identificar como esses fatores se influenciam e como diferem as causas e as consequências da doença representa um grande desafio para os pesquisadores.

Com portadores do APOE4 representando até três quartos dos casos de Alzheimer, a abordagem genética continua sendo fundamental para entender o que falha no cérebro quando a doença começa.

Entenda mais sobre saúde e cérebro

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Além disso, aprender a reduzir o estresse pode ser um passo importante para cuidar do cérebro e prevenir doenças neurodegenerativas.

Matéria original: https://www.sciencealert.com/alzheimers-risk-gene-alters-brain-activity-early-but-it-may-be-reversible

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