Os meteorologistas apostam numa temporada de furacões abaixo da média que começa segunda-feira, 1º de junho. Mas especialistas alertam que isso não significa segurança garantida para quem vive nas costas do Atlântico.
O Serviço Americano de Meteorologia prevê entre oito e 14 tempestades nomeadas, incluindo três a seis furacões e apenas um a três de categoria 5, com ventos superiores a 177 km/h. Numa temporada típica, ocorrem 14 tempestades, sete furacões e três maiores. A estação encerra em 30 de novembro.
“É preciso apenas um”, alertou Ken Graham, diretor do Serviço Nacional de Meteorologia. “Agora é momento de começar a pensar na preparação para furacões.”
O papel do El Niño nas previsões
A base das previsões está numa ocorrência natural chamada El Niño, que deve se desenvolver durante a temporada. Esse fenômeno começa com águas extraordinariamente quentes no Oceano Pacífico equatorial e afeta padrões climáticos globalmente.
No Pacífico, um El Niño intensifica os furacões. No Atlântico, porém, suprime a atividade ao aumentar o cisalhamento do vento, que quebra as tempestades antes que se fortaleçam. Contudo, temperaturas mais altas nas águas atlânticas permitem que os poucos furacões que se formem se intensifiquem rapidamente—um padrão cada vez mais frequente com aquecimento dos oceanos.
“Quando as temperaturas oceânicas estão mais quentes, você obtém furacões mais intensos. Quando há uma oportunidade e uma localização com baixo cisalhamento de vento e temperaturas oceânicas quentes, é quando você pode ter um furacão muito forte”, explicou Marc Alessi, pesquisador da União de Cientistas Preocupados.
Temperaturas elevadas na região do Golfo
Haiyan Jiang, meteorologista da Universidade Internacional da Flórida, disse haver grande chance de um El Niño forte elevar as temperaturas no Golfo do México.
“Provavelmente não teremos tantas tempestades como em anos anteriores. Porém, algumas tempestades têm sorte”, comentou. “Vemos exceções o tempo todo com furacões. Acredito que floridanos precisam se preparar.”
A NOAA, agência federal que supervisiona o Serviço Nacional de Meteorologia, informou que há 55% de chance de uma temporada abaixo do normal, 35% de probabilidade de uma estação próxima ao normal e apenas 10% de chance de atividade acima da média. As previsões não incluem dados específicos sobre quando ou onde furacões farão landfall, pois isso depende de padrões meteorológicos de curta duração.
Colorado State oferece perspectiva similar
Meteorologistas da Universidade Estadual do Colorado previram igualmente uma temporada abaixo da média, com 13 tempestades nomeadas, seis furacões e dois maiores. Identificaram que as águas no Atlântico tropical ocidental estão mais quentes que o normal, enquanto o Atlântico tropical oriental está ligeiramente mais fresco.
Segundo os pesquisadores de Colorado, há 32% de probabilidade de um furacão fazer landfall na costa americana inteira, 15% para a Costa Leste incluindo a Península da Flórida e 20% para a região do Golfo do Panamá até Brownsville, Texas.
Lição vinda de Melissa

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Apesar da previsão de atividade fraca, especialistas lembram que o cenário global pode mudar rapidamente. No ano passado, nenhum furacão atingiu o território americano, mas o Furacão Melissa devastou a Jamaica como uma tempestade de categoria 5, causando quase 9 bilhões de dólares em danos e 95 mortes no Caribe.
“Apenas porque é uma temporada abaixo da média não significa que um furacão muito poderoso não fará landfall nos Estados Unidos”, ressaltou Alessi, enfatizando que a preparação permanece crítica independentemente das previsões estatísticas.
Foto: Malcolm Garret no Pexels
Matéria original: https://arstechnica.com/science/2026/05/forecasters-predict-below-average-hurricane-season-advise-against-complacency/






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