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Gelo libera mais ferro do que cientistas previam

Degelo nos polos libera muito mais ferro do que previam modelos climáticos. Descoberta surpreende cientistas e altera compreensão dos ciclos oceanográficos.

Glaciar derretendo em região polar com águas azuis do oceano, liberando sedimentos ricos em ferro
Glaciar derretendo em região polar com águas azuis do oceano, liberando sedimentos ricos em ferro

Pesquisadores descobriram que o derretimento de gelo nos polos está liberando quantidades significativamente maiores de ferro do que os modelos climáticos atuais conseguem prever. Essa descoberta altera radicalmente como os cientistas compreendem os ciclos biogeoquímicos do nosso planeta.

O ferro liberado pelo derretimento de geleiras e calotas polares viaja pelos oceanos e se torna biodisponível para o fitoplâncton, organismos microscópicos na base das cadeias alimentares marinhas. Um detalhe que surpreende os climatologistas: essa quantidade extra de ferro pode estimular o crescimento do fitoplâncton de forma muito mais intensa do que calculado anteriormente.

Ferro no gelo: Impacto nos oceanos vai além do que se pensava

Os oceanos polares contêm reservas imensuráveis de ferro particulado e dissolvido, aprisionadas há milhares de anos dentro de glaciares e lençóis de gelo. Conforme o aquecimento global acelera o derretimento, esse ferro é liberado em uma escala que surpreende até especialistas que dedicam suas carreiras ao estudo de sistemas climáticos.

O fitoplâncton, alimentado por esse ferro extra, cresce mais abundantemente e captura mais dióxido de carbono da atmosfera através da fotossíntese. Esse processo, conhecido como bomba biológica de carbono, transfere carbono para as profundezas oceânicas quando os organismos morrem e afundam. A consequência? Uma potencial retroalimentação climática que ninguém havia quantificado adequadamente.

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Modelos antigos não contavam com essa variável

Os modelos climáticos computacionais usados por agências como o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) baseiam-se em estimativas de disponibilidade de ferro que negligenciam o aporte massivo do degelo das geleiras. Pesquisadores que analisaram núcleos de gelo e sedimentos marinhos encontraram concentrações de ferro até 40% maiores do que o previsto em cenários de aquecimento de 1,5 a 2 graus Celsius.

Essa discrepância abre uma questão perturbadora: se o ferro está sendo liberado em quantidades subestimadas, como isso afeta as projeções de mudanças oceanográficas para os próximos cem anos? Cientistas agora revisam seus dados de sedimentação, produtividade biológica e fluxos de carbono nos mares polares.

A dimensão global dessa descoberta

O Ártico e a Antártida não são apenas regiões remotas, elas são sistemas que regulam a circulação termoalina, a salinidade oceânica e a disponibilidade de nutrientes em todo o globo. Uma mudança no aporte de ferro nesses ecossistemas ressoa até nos mares tropicais, influenciando a produtividade de peixes e outras espécies comercialmente relevantes.

Instituições de pesquisa na Islândia, Dinamarca, Reino Unido e Austrália coordenam expedições para medir com precisão quanto ferro está sendo liberado. Os dados coletados entre 2022 e 2024 contradizem frontalmente as projeções de 2015. Essa correção é necessária para refinar políticas climáticas e estratégias de adaptação nos próximos anos.

Foto: Yuanpang Wa no Pexels

Matéria original: https://phys.org/news/2026-05-ice-iron-climate.html

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