O que se sabe sobre a misteriosa epidemia na China?

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Um misterioso surto de pneumonia na China foi atrelado a um novo coronavírus, mas a Organização Mundial da Saúde diz que não há necessidade de pânico.

Até agora, as autoridades chinesas relataram poucas evidências de transmissão de homem para homem, segundo a OMS, tornando menos provável uma epidemia.

Os coronavírus podem causar uma grande variedade de doenças, desde um resfriado comum até a síndrome respiratória aguda mais grave ou SARS.

Um surto global de SARS começou na China em 2003 matou 774 pessoas e infectou milhares. Um coronavírus diferente provocou outro surto mortal em 2012, com a doença chamada síndrome respiratória do Oriente Médio, ou MERS, matando mais de 800 pessoas.

Ambos os surtos começaram com o vírus pulando de animais para humanos e se espalhando entre as pessoas.

Em dezembro de 2019, surgiram relatos de casos misteriosos de pneumonia na cidade chinesa de Wuhan, com 59 casos confirmados até 5 de janeiro.

Alguns pacientes eram vendedores em um mercado de frutos do mar que vendiam frango, morcegos e outros animais selvagens, levantando suspeitas de outra doença zoonótica. Os primeiros testes descartaram vírus associados à SARS, MERS, influenza e outros patógenos conhecidos.

Mas o culpado era realmente um coronavírus, que os cientistas não tinham visto antes. Investigadores chineses identificaram o novo coronavírus a partir de material genético obtido de um paciente, informou a OMS em 9 de janeiro.

O que sabemos até agora sobre esse vírus?

“Não sabemos muito até agora”, disse Dra. Jennifer Nuzzo, epidemiologista do Johns Hopkins Center for Health Security, em Baltimore. “Parece ser um novo coronavírus que pode produzir pneumonia viral, que foi grave em alguns casos”.

Nenhuma morte foi relatada até agora pelo vírus. Os médicos estarão monitorando como os pacientes atuais se saem e tentando entender se o vírus afeta pessoas com sistemas imunológicos que já são vulneráveis ​​para avaliar melhor a ameaça desse novo vírus.

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“Ainda não sabemos o resultado final dos casos em andamento ou se esses indivíduos tinham condições pré-existentes”, diz ela.

Sabemos como esse vírus está se espalhando?

As autoridades chinesas dizem que o vírus não transmite facilmente entre humanos. Embora Dra. Nuzzo diga que é muito cedo para ter certeza, ela concorda que “não parece haver evidência de transmissão de pessoa para pessoa. Não vimos números [de infectados] que nos deixariam preocupados com essa possibilidade”.

Durante os surtos mortais anteriores de coronavírus, os profissionais de saúde estavam entre os primeiros a adoecer quando esses vírus saltaram de humano para humano, diz o médico de doenças infecciosas Dr. Amesh Adalja, também do Johns Hopkins Center for Health Security.

“Até agora, nenhum profissional de saúde ou prestador de cuidados [que não estivesse] naquele mercado de peixes ficou doente, o que sugere que o vírus não transmite de forma eficiente entre os seres humanos”, diz ele.

Ainda assim, Adalja não descarta isso como uma possibilidade. Se o vírus é transmissível entre as pessoas “ainda precisa ser completamente determinado”.

As pessoas devem estar preocupadas?

Por enquanto, o surto parece estar contido, sem novos casos relatados desde 29 de dezembro. A OMS diz que está monitorando a situação e não recomendou nenhuma restrição de viagem.

Ainda assim, “sempre que aparecer um novo vírus que esteja causando doenças críticas, ele merece preocupação”, diz Adalja. “No momento, não há motivo para pânico.”

Quais são os próximos passos para os cientistas em saúde pública?

Uma vez que as informações genéticas do vírus sejam disponibilizadas, os cientistas poderão compará-las com outros vírus conhecidos para verificar se estão mais estreitamente relacionados ao resfriado comum ou às variedades mais mortais que causaram SARS ou MERS.

Mas, em termos de avaliação da ameaça desse surto, “realmente precisamos de mais dados”, diz Adalja. Os especialistas vasculharão as histórias dos pacientes para determinar a gravidade da doença e quem pode ser especialmente vulnerável. As autoridades também precisam estar atentas a novos casos. “É importante manter-se vigilante”, diz ele.

Nuzzo e Adalja esperam que esse surto desperte um interesse renovado em pesquisar os coronavírus e desenvolver vacinas e tratamentos.

“Faz 17 anos desde a SARS e ainda não temos nenhuma vacina contra o coronavírus. Não temos antivirais para coronavírus “, diz Adalja. “A única maneira de tirar surtos como esses da mesa é desenvolver medidas contra eles.”

Atualização:

A mídia estatal chinesa divulgou no sábado a primeira morte conhecida por esse novo vírus que infectou dezenas de pessoas na China e provoca preocupações em toda a Ásia.

Até o momento 17 mortes causadas pelo coronavírus já foram confirmadas na China.

Fonte: Science News

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