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Por que o DNA de Neandertal é ausente no cromossomo X humano

Os neandertais viveram por 400 mil anos e se cruzaram com humanos modernos. Cerca de 2% do seu DNA ainda está em você. O que a ciência sabe sobre eles.

DNA Neandertal

Os neandertais viveram por cerca de 400 mil anos, dominaram Europa e Ásia Ocidental, enterravam seus mortos e fabricavam ferramentas sofisticadas. Desapareceram há aproximadamente 40 mil anos, pouco depois de encontrar o Homo sapiens. E deixaram rastros genéticos que carregamos até hoje.

Quem eram os neandertais

O Homo neanderthalensis surgiu há cerca de 400 mil anos, provavelmente a partir de populações do Homo heidelbergensis que viviam na Europa. Eles habitaram um território enorme: da Península Ibérica ao Oriente Médio e ao sul da Sibéria.

Fisicamente, eram diferentes dos humanos modernos de formas específicas. Tinham crânio mais achatado e alongado para trás, com uma crista óssea saliente acima dos olhos. O corpo era mais robusto, adaptado ao frio europeu: ombros largos, perna grossa, nariz grande para aquecer o ar frio antes de chegar aos pulmões. O volume craniano era similar ao nosso, ou até ligeiramente maior em alguns indivíduos.

Como viviam

Os neandertais eram caçadores-coletores que usavam fogo, confeccionavam roupas de couro e fabricavam ferramentas com técnica apurada. O conjunto de ferramentas que produziram, chamado de Cultura Musteriense, inclui pontas de lança e raspadores de pedra que exigiam planejamento de múltiplas etapas para serem criados.

Evidências arqueológicas mostram que cuidavam de membros doentes ou lesionados. Esqueletos encontrados em Shanidar, no Iraque, apresentam ossos curados de fraturas graves, o que indica que alguém sustentou esses indivíduos por longos períodos.

Eles também enterravam seus mortos, às vezes com objetos ao redor. Se isso representa ritual fúnebre ou simplesmente descarte do corpo ainda é debatido, mas a prática em si é incomum entre primatas.

Por que se extinguiram

Os neandertais desapareceram entre 40 mil e 35 mil anos atrás, período que coincide com a chegada do Homo sapiens à Europa. A causa exata ainda é discutida.

As hipóteses mais aceitas combinam fatores: competição direta com humanos modernos por recursos, mudanças climáticas abruptas que fragmentaram habitats, possível transmissão de doenças para as quais os neandertais não tinham imunidade, e absorção genética por cruzamentos com o Homo sapiens. Nenhuma hipótese isolada explica completamente o desaparecimento.

O DNA neandertal que está em você

Em 2010, o geneticista Svante Pääbo e sua equipe do Instituto Max Planck sequenciaram o genoma neandertal a partir de ossos de 38 mil anos. A descoberta foi direta: humanos modernos de origem não-africana carregam entre 1% e 2% de DNA neandertal.

Esse DNA não é neutro. Algumas variantes neandertais contribuem para resposta imunológica mais robusta a certos patógenos. Outras estão associadas a maior risco de coágulos sanguíneos, depressão e reações alérgicas. A herança é uma mistura de vantagens e custos, distribuída de forma desigual na população global.

Africanos subsaarianos não carregam DNA neandertal em quantidades detectáveis, o que faz sentido: o cruzamento ocorreu fora da África, depois que o Homo sapiens saiu do continente.

Por que o cromossomo X tem menos DNA neandertal

Uma descoberta específica chama atenção: o cromossomo X humano tem muito menos DNA neandertal do que os outros cromossomos. Alexander Platt e colegas investigaram esse padrão analisando genomas neandertais e os vestígios genéticos em humanos modernos de cruzamentos ocorridos há cerca de 250 mil anos.

A explicação mais plausível envolve quem cruzava com quem. Como as mulheres têm dois cromossomos X e os homens têm um X e um Y, dois terços dos cromossomos X em uma população vêm das mães. Se a maioria dos cruzamentos ocorreu entre mulheres humanas e homens neandertais, o cromossomo X dos filhos híbridos viria da mãe humana. Com o tempo, o DNA neandertal seria menos frequente justamente no X, exatamente o padrão observado.

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Neandertais e Denisovanos: duas espécies perdidas

Os neandertais não foram os únicos parentes extintos que deixaram DNA em nós. Os Denisovanos, conhecidos principalmente por um fragmento de osso encontrado na Sibéria, cruzaram tanto com neandertais quanto com Homo sapiens. Um caso extraordinário documentado pela ciência é o de uma menina de 13 anos que tinha mãe neandertal e pai denisovano, evidência direta de que essas espécies se encontravam e se reproduziam.

Para um panorama mais amplo de como o DNA antigo está reescrevendo a história da origem humana, veja como pesquisadores usaram sequenciamento genético para revelar redes de populações que contradizem os modelos anteriores de evolução.

Perguntas frequentes sobre neandertais

Quando os neandertais se extinguiram?

As últimas populações de neandertais desapareceram entre 40 mil e 35 mil anos atrás, na Península Ibérica. Os registros arqueológicos mais recentes vêm de sítios em Gibraltar e no sul da Espanha.

Neandertais tinham linguagem?

Provavelmente tinham alguma forma de comunicação vocal. Eles possuíam o osso hioide, estrutura anatômica necessária para a fala, em formato semelhante ao humano. Análises genéticas também mostram que carregavam a versão humana do gene FOXP2, associado à linguagem. Se produziam linguagem complexa como a nossa é impossível saber com certeza.

Neandertais eram inteligentes?

As evidências arqueológicas mostram capacidade cognitiva sofisticada: planejamento de ferramentas em múltiplas etapas, cuidado com doentes, enterramento de mortos e uso de pigmentos em conchas. O debate não é sobre inteligência, mas sobre se suas capacidades simbólicas eram comparáveis às do Homo sapiens.

Africanos têm DNA neandertal?

Em quantidades muito pequenas ou indetectáveis. O cruzamento entre neandertais e Homo sapiens ocorreu fora da África, depois da saída do continente. Populações africanas modernas têm variantes genéticas distintas, incluindo algumas que parecem ter voltado para a África via fluxo gênico de populações euroasiáticas muito depois dos cruzamentos originais.

Fontes: ScienceAlert | Prüfer et al., Nature 2014 | Instituto Max Planck de Antropologia Evolutiva

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