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Cemitério em NY abriga 5,5 milhões de abelhas Andrena regularis

Cemitério histórico em Nova York abriga 5,5 milhões de abelhas selvagens em agregado que surpreende cientistas da Universidade Cornell.

Abelha mineradora regular (Andrena regularis) próxima a flores em solo arenoso de cemitério histórico.
Abelha mineradora regular (Andrena regularis) próxima a flores em solo arenoso de cemitério histórico.

Uma aluna de entomologia da Universidade Cornell transformou um achado casual em uma descoberta que surpreendeu a comunidade científica. Enquanto caminhava por um cemitério histórico em Ithaca durante seus trajetos para o trabalho, Rachel Fordyce percebeu abelhas em quantidade inusitada voando entre as lápides. O que começou como simples observação revelou um dos maiores agregados de abelhas selvagens já documentado na literatura científica.

O Segredo Enterrado no Asfalto

A descoberta transformou o Cemitério East Lawn, fundado em 1878, em um laboratório vivo que não constava nos mapas científicos. Os pesquisadores estimam que aproximadamente 5,5 milhões de abelhas individuais vivem concentradas em apenas 1,5 hectare do terreno. Para dimensionar essa população, equivale a mais de 200 colmeias de abelhas domesticadas reunidas em um único local, ultrapassando significativamente toda a população humana de Manhattan.

Trata-se da espécie Andrena regularis, popularmente chamada de “abelha mineradora comum”. Contrariamente à percepção pública que associa abelhas aos enxames visíveis, a maioria absoluta das espécies opera de forma discreta: cerca de 75% nidificam solitariamente no solo, utilizando o underground como lar provisório. Registros históricos revelam que Andrena regularis habita aquele cemitério desde pelo menos os anos 1900.

Método Científico Revelador

Steve Hoge, pesquisador de graduação que liderou a pesquisa publicada em abril na revista Apidologie, desenvolveu uma metodologia criativa para contabilizar milhões de insetos. Os cientistas utilizaram pequenas armadilhas de emergência com menos de um metro quadrado que funcionam como funis, capturando insetos conforme saem do solo através de câmaras de vidro.

Entre 30 de março e 16 de maio de 2023, dez armadilhas foram estrategicamente posicionadas pelo cemitério. Coletaram 3.251 insetos representando 16 espécies diferentes. A. regularis compôs a esmagadora maioria das amostras. Ao extrapolar os dados de densidade média capturada, os pesquisadores calcularam uma população total variando entre 3 e 8 milhões de indivíduos, com estimativa média de 5,5 milhões.

Por Que um Cemitério Virou Paraíso das Abelhas – Andrena regularis?

A resposta reside nas características ambientais únicas do local. Cemitérios históricos, especialmente em zonas urbanas, funcionam como refúgios involuntários para biodiversidade. East Lawn oferece exatamente o que estas abelhas necessitam: solo arenoso abundante para nidificação, ambiente pacífico com mínima perturbação humana e ausência praticamente total de pesticidas.

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Keven Morse, superintendente do cemitério há 46 anos, relatou observar durante esse período cervos, gansos, gaviões, raposas e coiotes convivendo pacificamente no espaço. As abelhas, curiosamente, nunca o picaram apesar da convivência constante e da necessidade ocasional de cortarmos seções do terreno.

Outro fator contribuinte situa-se a aproximadamente 500 metros: Cornell Orchards fornece abundância de flores na primavera, coincidindo precisamente com o período de emergência das abelhas. Hoge observou que A. regularis emerge em abril quando temperaturas diurnas atingem regularmente 21 graus Celsius, sincronizado perfeitamente com o florescimento das maçãs.

Ciclo Reprodutivo e Comportamento Singular

Fêmeas de A. regularis escavam ninhos subterrâneos e depositam ovos em câmaras preenchidas com pólen e néctar. As larvas desenvolvem-se no subsolo antes de emergir como adultos completamente formados. Particularidade rara: esta espécie hiberna durante o inverno já na fase adulta, não como pupa, explicando sua emergência precoce na primavera.

Os dados de monitoramento revelaram diferenças notáveis no timing de emergência entre gêneros. Machos surgem primeiro durante períodos quentes, aguardando a emergência de fêmeas dias depois. Trata-se de estratégia evolutiva apurada: “Os machos saem primeiro e esperam, maximizando oportunidades reprodutivas para transmitir seus genes”, conforme explicou Hoge.

Ameaças e Parasitismo

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O estudo documentou parasitismo de brood conduzido por abelhas “cuco” (Nomada imbricata). Estas abelhas parasitas aguardam o momento exato em que fêmeas de A. regularis completam o preparo das câmaras de postura, invadindo-as para depositar seus próprios ovos. Quando as larvas do parasita eclodem, matam sistematicamente a larva hospedeira e consumem toda a reserva alimentar destinada à abelha legítima.

Bryan Danforth, professor de entomologia de Cornell, sublinhou a importância da descoberta para políticas de conservação: “A pesquisa eleva o valor das abelhas selvagens solitárias, demonstra sua abundância extraordinária, sua importância crítica como polinizadores de culturas comerciais como maçãs, e que precisamos identificar, proteger e preservar esses sítios de nidificação”. Antes desta pesquisa, apenas uma referência científica detalhada sobre a biologia da espécie existia na literatura, datada de 1978.

Foto: Zülfü Demir📸 no Pexels

Matéria original: https://www.sciencedaily.com/releases/2026/05/260527023218.htm

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