Pesquisadores descobriram que o aumento das temperaturas não apenas ameaça a sobrevivência das abelhas, mas interfere diretamente em sua capacidade reprodutiva. Um novo estudo revela como as ondas de calor comprometem o comportamento sexual e a fertilidade desses insetos polinizadores essenciais.
O fenômeno ocorre porque as abelhas macho, conhecidas como zangões, dependem de condições térmicas específicas para realizar voos nupciais. Durante esses voos, os machos encontram as rainhas para o acasalamento. Quando as temperaturas ultrapassam limites críticos, tanto a energia reprodutiva quanto a qualidade do esperma dos zangões sofrem declínio significativo.
Como o calor interfere na reprodução
As pesquisas indicam que zangões expostos a temperaturas elevadas apresentam esperma danificado e menor capacidade de fecundação. Além disso, as rainhas expostas ao calor extremo reduzem sua propensão ao acasalamento, criando um duplo impacto que ameaça a viabilidade das colônias.
O fenômeno não se limita a uma única espécie. Estudos com diferentes tipos de abelhas mostram padrão consistente: temperaturas acima de 35°C começam a comprometer os voos nupciais. Em regiões onde ondas de calor são frequentes, as colônias enfrentam redução progressiva em sua capacidade reprodutiva.
Implicações para polinização e segurança alimentar
Como as abelhas são responsáveis pela polinização de aproximadamente 75% das culturas alimentares mundiais, qualquer impacto em sua reprodução reverbera pela cadeia alimentar. A redução na quantidade de novas gerações de abelhas significa menos polinizadores disponíveis nas estações seguintes, afetando diretamente a produção de alimentos.
Os cientistas advertem que esse é um dos mecanismos menos vistos através dos quais a mudança climática prejudica os ecossistemas. Enquanto abelhas morrem por exposição direta ao calor, outras tantas sobrevivem fisicamente mas perdem a capacidade de se reproduzir eficientemente.
Dados sobre populações declinantes
Levantamentos recentes mostram que populações de abelhas silvestres já caíram entre 25% e 45% em algumas regiões da Europa e América do Norte durante a última década. O declínio reprodutivo causado pelas ondas de calor acelera essa tendência de forma exponencial, criando um cenário onde as colônias não conseguem se recuperar entre períodos de estresse térmico.
O timing é particularmente crítico. As ondas de calor que ocorrem durante o pico da estação reprodutiva das abelhas têm impacto muito maior do que aquelas fora dessa janela. Em climas temperados, onde o acasalamento ocorre em meses específicos, mesmo uma única semana de calor extremo pode reduzir o sucesso reprodutivo anual em 30% a 50%.
Perspectivas futuras
Pesquisadores trabalham em possíveis adaptações, incluindo seleção de linhagens de abelhas mais tolerantes ao calor. Porém, a velocidade da mudança climática pode superar a capacidade evolutiva desses insetos de se adaptarem naturalmente.
O estudo reforça a necessidade urgente de ações climáticas concretas. Sem redução significativa nas emissões de gases estufa, as consequências para polinizadores afetarão colheitas e segurança alimentar global nas próximas décadas.
Foto: chris clark no Pexels
Matéria original: https://phys.org/news/2026-05-destroying-sex-bees.html






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