Pesquisadores descobriram a melhor forma de armazenar mangas. Pesquisadores da Universidade de Hainan descobriram que armazenar mangas a 12°C (54°F) prolonga significativamente sua vida útil sem causar danos pelo frio. O achado, publicado na revista Tropical Plants, explica pela primeira vez o mecanismo biológico por trás dessa temperatura aparentemente mágica.
O problema que afeta a indústria frutífera: Como armazenar mangas?
As mangas são frutas tropicais altamente perecíveis. Após a colheita, continuam amadurecendo rapidamente, perdendo água, amolecendo e deteriorando durante o transporte e armazenamento. Na maioria das regiões tropicais, as frutas viajam entre 26°C e 30°C, uma prática que acelera a respiração celular e causa apodrecimento acelerado.
O dilema enfrentado pela indústria é que frutas tropicais sofrem danos pelo frio em temperaturas muito baixas, criando um impasse entre preservação e segurança. Observações anteriores sugeriam que 12°C funcionava bem, mas ninguém havia compreendido exatamente o porquê.
O experimento que revelou tudo
Os cientistas compararam mangas armazenadas a 12°C com frutas mantidas a 30°C durante 24 dias. O escopo das medições foi impressionante: monitoraram cor, firmeza, perda de peso, conteúdo de açúcar, acidez, taxa de respiração e níveis de espécies reativas de oxigênio (ROS).
Examinaram também compostos antioxidantes como vitamina C, fenóis e flavonoides, além de medir a atividade de enzimas protetoras específicas (APX, SOD, PAL e POD). Usando microscopia, conseguiram visualizar mudanças nas células da polpa da manga ao longo do tempo.
Diferenças drásticas aparecem após duas semanas
Nos primeiros 12 dias, as frutas armazenadas nas duas temperaturas pareciam semelhantes. Depois do dia 16, porém, divergências dramáticas começaram a aparecer.
As mangas a 30°C amareleceram rapidamente, enquanto as mantidas a 12°C conservaram sua cor por mais tempo devido à desaceleração da quebra de clorofila. O teor de açúcar aumentou rapidamente nas frutas quentes, depois caiu, enquanto as mangas frias mostraram um aumento lento e constante.
A perda de peso revelou contraste ainda maior: frutas a 30°C perderam mais de 17% de sua massa, enquanto as a 12°C perderam menos de 4%. Em nível celular, as mangas frias mantiveram paredes celulares e grânulos de amido intactos após 24 dias. As quentes mostraram enfraquecimento das paredes, depleção de amido e colapso celular.
As defesas antioxidantes como protagonistas
A descoberta mais reveladora envolveu os mecanismos de proteção biológica da fruta. A temperatura de 12°C reduziu o acúmulo de malondialdeído (MDA) e ROS, ambos associados ao estresse oxidativo que deteriora as células.
Simultaneamente, temperaturas mais frias preservaram níveis mais altos de vitamina C, fenóis e flavonoides. As enzimas antioxidantes protetoras permaneceram mais ativas por períodos mais longos em mangas armazenadas a 12°C.
A análise genética foi igualmente esclarecedora: mostrou aumento de atividade em genes relacionados à antioxidação, incluindo MiAPX1, MiAPX2, MiSOD1 e MiSOD2. Esses genes fortalecem os sistemas naturais de defesa da fruta e mantêm o equilíbrio redox, reduzindo danos celulares durante o armazenamento.
Aplicações práticas para a cadeia de suprimentos
As implicações são diretas para a indústria de exportação de mangas. Manter temperaturas próximas a 12°C pode permitir que as frutas sejam colhidas mais cedo, transportadas por distâncias maiores e amadurecidas mais perto dos mercados finais, minimizando perdas e perda de qualidade.
Para um setor que lida diariamente com desperdício de alimentos e pressões logísticas, essa descoberta oferece um caminho concreto para melhorar a eficiência da cadeia de frio tropical. O impacto potencial abrange desde redução de perdas até extensão do acesso a mangas frescas em mercados distantes.
A pesquisa foi financiada pelo Projeto de Inovação Conjunta do Grupo de Reclamação Agrícola da Província de Hainan, pelo Programa Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento e pelo Projeto de Construção do Sistema de Tecnologia da Indústria de Manga da Universidade de Hainan.
Foto: ROMAN ODINTSOV no Pexels
Matéria original: https://www.sciencedaily.com/releases/2026/05/260522023136.htm






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