O centro do nosso planeta é um inferno incandescente que ninguém consegue alcançar. Mas os cientistas descobriram como medir sua temperatura sem precisar descer até lá, e o resultado é impressionante: aproximadamente 5 mil a 5.6 mil graus Celsius. Praticamente tão quente quanto a superfície do Sol.
Como os cientistas descobriram a temperatura do núcleo da Terra?
Para um mineral físico como Quentin Williams, da Universidade da Califórnia em Santa Cruz, o desafio de conhecer as temperaturas do núcleo terrestre sempre foi resolver um paradoxo: como estimar o que não se consegue medir diretamente? A resposta está em técnicas criativas de laboratório que simulam as condições impossíveis das profundezas.
Os pesquisadores utilizam células de diamante para apertar minúsculas amostras de ferro entre dois diamantes afiados enquanto os aquecem com lasers potentes. Alguns projetos ainda mais ousados atiram projéteis em altíssima velocidade contra fragmentos de metal, criando ondas de choque que reproduzem as pressões astronômicas do interior do planeta. Essas experiências geram dados que os cientistas extrapolam matematicamente para as condições reais do núcleo.
Por que a temperatura do núcleo da Terra é tão alta?
Quando a Terra se formou há 4,5 bilhões de anos, foi uma bola de rocha derretida. Os elementos pesados, principalmente ferro e níquel, afundaram gradualmente em direção ao centro, concentrando-se e transformando-se em um núcleo denso e escaldante. Esse material permanecem em dois estados distintos: um núcleo externo líquido que começa a 2900 km de profundidade, e um núcleo interno sólido que se estende a 5.200 km abaixo da superfície.
A existência desse calor extremo possui origens múltiplas. Primeiro, quando toda essa matéria se reuniu pela atração gravitacional, a energia potencial foi convertida diretamente em calor. Além disso, evidências científicas apontam que um objeto do tamanho de Marte colidiu com nosso planeta primitivo durante sua formação, liberando uma quantidade colossal de energia térmica em seu interior.
Alguns cientistas também especulam que elementos radioativos como potássio, urânio e tório contribuem para manter essa temperatura elevada, embora ainda exista debate sobre se esses elementos realmente existem em quantidades significativas nas profundezas terrestres.
O paradoxo da pressão e do ponto de fusão
Um mistério intrigante emerge quando consideramos o ponto de fusão do ferro. Na superfície terrestre, o ferro puro derrete a 1537 graus Celsius. Contudo, no núcleo interno, apesar de temperaturas que excedem 5500 graus, o ferro permanece sólido. A resposta reside na pressão descomunal: quanto maior a compressão, maior o ponto de fusão da maioria das substâncias.
As pressões no núcleo interno são tão colossais que mantêm o ferro em estado sólido mesmo quando submetido a temperaturas que correspondem às da superfície solar. Essa característica fundamental explica por que nosso planeta possui simultaneamente um núcleo externo fundido e um núcleo interno cristalino.
Consequências dessa fornalha interior para a vida
O calor que pulsa nas profundezas da Terra não é meramente uma curiosidade científica. Esse núcleo escaldante é responsável por fenômenos cruciais para a existência de vida em nosso planeta. Diferentemente de outros mundos rochosos do sistema solar, a Terra consegue reter o calor original de sua formação, não esfria tão rapidamente quanto seus vizinhos celestes.
Essa propriedade de retenção térmica gera a tectônica de placas, o movimento que faz os continentes deslizarem, traz nutrientes para a superfície e cria habitats diversos onde a vida pode evoluir. Além disso, o núcleo líquido de ferro funciona como um dínamo gigantesco, gerando o campo magnético terrestre que nos protege das perigosas rajadas solares.
Segundo o geólogo Shichun Huang, da Universidade Sun Yat-sen na China, quem se importa com a vida na Terra deveria se importar com as entranhas do planeta. Um núcleo em chamas é o que torna possível a nossa própria existência no topo dessa esfera de fogo.
Ainda existem mistérios profundos sobre o funcionamento do núcleo que permanecem sem solução. Como exatamente o núcleo interno cristaliza a partir do material fundido? Quais mecanismos governam essas transformações? Os cientistas continuam suas investigações, usando todas as criatividade de que dispõem para desvendar os segredos do inferno que fica abaixo de nossos pés.
Foto: Atlantic Opus no Pexels
Matéria original: https://www.livescience.com/planet-earth/geology/how-hot-is-earths-core






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