Introdução: A Mistério da Água em Marte
A água de Marte desapareceu em algum lugar, mas os cientistas discordam há anos sobre o que realmente aconteceu com ela. Dados de rovers como o Perseverance e o Curiosity, além de satélites em órbita como o Mars Reconnaissance Orbiter e o ExoMars, mostram que Marte já foi um mundo úmido, com um ciclo hidrodinâmico ativo.
Entretanto, hoje o planeta vermelho não possui mais água em abundância. Portanto, onde está toda essa água?
Novas Descobertas Sobre a Perda de Água
Um novo estudo que reúne dados de pelo menos seis instrumentos em três diferentes espaçonaves oferece insights adicionais. Ele revela que as tempestades de poeira empurram a água para a atmosfera marciana, onde ela é constantemente destruída durante todo o ano.
A Importância da Razão Deutério/Hidrogênio
Os especialistas acreditam que Marte já teve água suficiente para cobrir a maior parte de sua superfície a uma profundidade de centenas de metros. Para estimar isso, usa-se a técnica da razão de deutério/hidrogênio (D/H).
O deutério é um isótopo mais pesado do hidrogênio e compõe uma pequena fração dos átomos de hidrogênio na água. Essa água “pesada” é menos propensa a ser empurrada para as camadas altas da atmosfera, onde a radiação UV a destrói, e o hidrogênio resultante é levado pelo vento solar.
Assim, com o tempo, a proporção de deutério para hidrogênio aumenta, pois a forma mais leve é eliminada.
Na Terra, essa relação é menor do que em Marte, onde ela foi medida entre 5 e 8 vezes maior. Portanto, os cálculos indicam que Marte possuía bastante água — possivelmente na forma de gelo — para cobrir grande parte da superfície do planeta.
A Influência das Estações e das Tempestades no Clima Marciano
Entender para onde foi a água exige compreender as estações em Marte. O planeta possui um eixo de inclinação, assim como a Terra, o que gera estações. Entretanto, a órbita de Marte é altamente elíptica, o que torna um dos verões (quando está mais próximo do Sol, no periélio) muito mais quente que o outro (quando está no afélio, o ponto mais distante).
Portanto, os verões no hemisfério sul são mais quentes que os do hemisfério norte. Muitos cientistas acreditavam que a perda de água para a atmosfera ocorria apenas durante os verões mais quentes do sul.
Contudo, o novo estudo desafia essa premissa. Ele mostra que um tipo específico de “tempestade de foguetes” no hemisfério norte, observada recentemente, promove a perda de água também nessa estação.
Como as Tempestades de Poeira Afetam a Água
Durante o verão do hemisfério sul, as tempestades de poeira elevam partículas para as camadas médias da atmosfera. Essa poeira aquece o ar em cerca de 15°C. Normalmente, nuvens de gelo se formariam nessa altura, prendendo a água ao congelar suas moléculas.
Porém, o aumento da temperatura impede a formação dessas nuvens, permitindo que a água suba ainda mais para a alta atmosfera, onde a radiação UV a destrói.
Antes, acreditava-se que esse processo acontecia só no verão sul. Entretanto, dados da missão ExoMars, da Emirates Mars Mission (EMM) e do Mars Reconnaissance Orbiter mostraram uma forte tempestade similar no verão do hemisfério norte em 2022-2023 (ano marciano 37).
Essa revelação abre novas perspectivas para o estudo não só de Marte, mas também de fenômenos complexos que podem afetar sistemas biológicos e ambientais, como os relacionados a doença renal e outras condições.
Conclusão: Novos Caminhos para a Exploração de Marte
Portanto, as recentes descobertas de tempestades invisíveis, chamadas de “tempestades de foguetes”, expandem nossa compreensão sobre como Marte perdeu sua água. Além disso, mostram que fenômenos climáticos complexos atuam durante todo o ano, não apenas nas estações mais quentes.
Com esses avanços, a ciência continua desvendando os mistérios do planeta vermelho, abrindo portas para futuras missões e estudos do clima e ambiente marciano.
Matéria original: https://www.sciencealert.com/a-surprising-rocket-storm-could-reveal-how-mars-lost-its-water






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