O telescópio espacial James Webb acaba de revelar a estrutura oculta do universo em detalhes sem precedentes. Um mapa colossal mostra como as galáxias evoluíram nos últimos 13 bilhões de anos, desvendando a teia cósmica que sustenta toda a realidade conhecida.
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A teia cósmica funciona como um esqueleto invisível do universo. Ela é feita de filamentos de gás, matéria escura e aglomerados de galáxias organizados em estruturas gigantescas que definem como o cosmos se distribui no espaço. Tudo que vemos — cada galáxia, cada estrela — existe dentro desse framework colossal.
Um estudo publicado em 6 de maio na revista The Astrophysical Journal apresenta os resultados do COSMOS-Web, o maior levantamento já realizado pelo Webb. A equipe internacional, liderada por pesquisadores da Universidade da Califórnia em Riverside, passou 255 horas mapeando uma região de céu do tamanho de três luas cheias.
Como o universo cresceu e depois parou de crescer?
Os dados revelam algo surpreendente: o universo tinha um pico de produção de estrelas, mas esse pico ficou para trás. Bilhões de anos atrás, o cosmos criava estrelas e galáxias a uma taxa muito maior do que hoje.
“Demonstramos como a teia cósmica moldou o crescimento das galáxias antes, durante e depois desse período de pico”, explicou Dr. Hossein Hatamnia, coautor da pesquisa, ao Live Science. Nas regiões densas do universo primitivo, as galáxias cresciam rapidamente. Mas em tempos mais recentes, esses ambientes densos se tornaram locais onde a formação de estrelas é suprimida.
Os pesquisadores identificaram dois mecanismos diferentes que matam a formação de estrelas. Até cerca de 7 bilhões de anos atrás, galáxias com muita massa eram silenciosas porque seus halos de matéria escura cresceram demais. Uma vez que esses halos atingem 1 trilhão de massas solares, eles energizam o gás e impedem que novas estrelas nasçam.
Os buracos negros supermassivos também contribuem para esse silenciamento. Seus jatos próximos à velocidade da luz ionizam o gás, criando um ambiente hostil para a formação estelar.
Uma visão muito mais profunda que o passado
O mapa do Webb é qualitativamente superior a todas as observações anteriores. O levantamento anterior, COSMOS2020, foi feito pelo Hubble e outras instalações em 2021. Comparado com aquele trabalho, o novo mapa do Webb oferece precisão muito melhor na medição de desvios para o vermelho, um indicador de distância cósmica.
O Webb detectou mais galáxias, incluindo objetos muito mais fracos, menos massivos e mais distantes. As imagens antigas pareciam manchas difusas. O novo mapa revela estruturas individuais com clareza impressionante. Os pesquisadores conseguem agora ver a teia cósmica como era quando o universo tinha apenas alguns centenas de milhões de anos — uma era praticamente inacessível antes do Webb.
Bahram Mobasher, professor de física e astronomia em Riverside, resumiu o alcance da descoberta: “O salto em profundidade e resolução é verdadeiramente significativo.”
Dados públicos para futuras descobertas
A equipe catalogou 164 mil galáxias para construir este mapa e disponibilizou os dados publicamente. Isso significa que outros astrônomos em todo o mundo podem agora explorar o mesmo banco de dados, potencialmente descobrindo padrões e estruturas que a equipe original não identificou.
Essa abordagem colaborativa é cada vez mais comum na astronomia moderna. O Webb continua fornecendo dados que redefinirão a compreensão sobre como o universo se organizou e evoluiu ao longo dos bilhões de anos.
Foto: Alejandro De Roa no Pexels
Matéria original: https://www.livescience.com/space/astronomy/truly-significant-james-webb-telescope-reveals-largest-ever-map-of-the-universes-hidden-megastructures






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