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Impacto do ‘Termination Shock’ pode aumentar os custos dos danos climáticos

Entenda como a geoengenharia solar pode reduzir os custos econômicos das mudanças climáticas, mas o ‘termination shock’ ao interrompê-la pode trazer danos ainda maiores.

O que é o Termination Shock e por que ele preocupa?

A geoengenharia solar promete reduzir pela metade os custos econômicos das mudanças climáticas, além disso, pode proteger as calotas de gelo. Entretanto, interrompê-la bruscamente causaria um “termination shock”, um choque de terminação que faz as temperaturas dispararem rapidamente, gerando danos mais graves do que o aquecimento global descontrolado.

Geoengenharia solar: uma solução arriscada

À medida que as emissões de gases do efeito estufa continuam aumentando, cresce o interesse em técnicas de modificação da radiação solar (MRS), como a dispersão de aerossóis de dióxido de enxofre na estratosfera para bloquear a luz solar.

Portanto, seria necessário manter essa intervenção ininterruptamente por séculos, pois, caso contrário, o aquecimento “mascarado” retornaria rapidamente. Por exemplo, isso pode desencadear pontos de inflexão climáticos, como o colapso das calotas polares, afetando humanos e animais que teriam pouco tempo para adaptação.

Estudos sobre os riscos do dano climático e da geoengenharia solar

Francisco Estrada, da Universidade Nacional Autônoma do México, e sua equipe modelaram os riscos da inação climática comparados aos riscos da geoengenharia solar.

Se não reduzirmos as emissões fósseis, as temperaturas podem subir até 4,5°C acima dos níveis pré-industriais até 2100, gerando perdas econômicas estimadas em US$ 868 bilhões. Entretanto, um programa hipotético de injeção de aerossóis, iniciado em 2020, que controlasse o aumento para cerca de 2,8°C, poderia reduzir esses danos pela metade.

No entanto, se esse programa fosse interrompido abruptamente em 2030 e as temperaturas subissem 0,6°C na seguinte década, os prejuízos econômicos poderiam ultrapassar US$ 1 trilhão até o fim do século.

Além disso, Gernot Wagner, da Universidade de Columbia, ressalta que o estudo é inovador por considerar não apenas o aumento total da temperatura, mas também a velocidade dessa elevação, o que torna a geoengenharia solar mais arriscada do que aparenta.

Desafios práticos e políticos da geoengenharia solar

Empresas como a startup Make Sunsets já lançaram mais de 200 balões contendo dióxido de enxofre na estratosfera para vender créditos de carbono. Porém, ações como essa na México chegaram a provocar ameaças de proibição do governo local.

Adicionalmente, a empresa israelense Stardust levantou US$ 75 milhões e tem feito lobby para avanços na geoengenharia solar; segundo pesquisa da New Scientist, dois terços dos cientistas esperam ver intervenções em larga escala neste século.

Por exemplo, para reduzir em 1°C a temperatura da Terra, seriam necessárias pelo menos 100 aeronaves espalhando milhões de toneladas de dióxido de enxofre anualmente, sem interrupções causadas por conflitos políticos, guerras, pandemias ou outros eventos imprevisíveis.

Além disso, países influentes como os Estados Unidos têm enfraquecido a cooperação internacional necessária para implementar essa tecnologia de forma segura, fato que pode aumentar os riscos de um termination shock, segundo os pesquisadores.

Implicações para o futuro climático e econômico

Os cientistas concluem que a injeção de aerossóis só reduzirá os danos climáticos se a probabilidade de uma interrupção for muito baixa.

Por isso, a continuidade da geoengenharia solar exige esforço global coordenado, semelhante à cooperação vista em outras áreas, como o combate à doença renal e seus impactos no corpo humano, onde ações integradas são fundamentais.

Você também pode se aprofundar em como a inovação científica avança em áreas correlatas, como a terapia celular contra o câncer, mostrando que as soluções complexas para grandes problemas exigem ações constantes e responsáveis.

Matéria original: https://www.newscientist.com/article/2513124-termination-shock-could-make-the-cost-of-climate-damage-even-higher/?utm_campaign=RSS%7CNSNS&utm_source=NSNS&utm_medium=RSS&utm_content=home

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