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Samsung pode registrar primeiro prejuízo em smartphones da história

Executivos da Samsung alertam sobre possível primeira perda em smartphones. A corrida por IA inflacionou preços de memória e ameaça rentabilidade.

Samsung prejuízo smartphone

A corrida global por capacidade de inteligência artificial está sufocando a rentabilidade de um dos maiores fabricantes de celulares do mundo. Pela primeira vez em décadas, executivos da Samsung temem que a divisão móvel termine 2026 com prejuízo.

O alerta veio de TM Roh, chefe da divisão MX (Mobile Experience) da Samsung, que alertou a liderança da empresa sobre o risco iminente. Mesmo durante crises econômicas e caos nas cadeias de suprimento causado pela pandemia, a Samsung sempre lucrou com smartphones. Agora, a inflação de preços da memória RAM e armazenamento NAND—componentes disputados por gigantes de IA como Nvidia—ameaça quebrar uma sequência histórica de rentabilidade.

Por que a inteligência artificial está drenando os lucros dos smartphones

O culpado é simples: a memória tornou-se o componente mais caro de um celular, ultrapassando até mesmo o processador. A memória LPDDR5x, essencial para rodar modelos de IA nos telefones, disparou de preço porque data centers e empresas de inteligência artificial estão comprando em escala monumental.

Para dimensionar a magnitude: o processador Vera da Nvidia, lançado em 2026, consome até 1,5 TB de memória LPDDR5x em uma única unidade. Um servidor com 36 desses processadores gasta RAM suficiente para equipar 4.600 Galaxy S26 Ultra com seus 12GB de memória cada. Enquanto isso, a Samsung continua tentando vender telefones com as mesmas especificações a consumidores individuais.

De acordo com análise da Counterpoint Research, o RAM já representa mais de um terço do custo total de fabricação de um celular de entrada em meados de 2026. Até em modelos premium, a memória consome mais de 20% do orçamento de produção. Há alguns anos, o processador aplicação (que inclui o rádio celular) era o componente mais caro. A era da IA inverteu completamente essa equação.

A divisão de semicondutores salva a empresa—por enquanto

Enquanto a divisão móvel sangra, a Samsung Semiconductor está em festa. A unidade de chips registrou lucro estimado de 38 bilhões de dólares (57,2 trilhões de won) no primeiro trimestre de 2026—mais de sete vezes o lucro do mesmo período em 2025.

A ironia é cortante: a Samsung está ganhando milhões vendendo componentes para seus próprios concorrentes. A empresa, junto com Micron e SK Hynix, acelerou planos para expandir linhas de produção de memória. A Samsung até começou a desativar produção de memória LPDDR4 mais antiga para concentrar esforços em LPDDR5, a variante mais demandada por IA.

Projeções de analistas indicam que essa pressão de oferta continuará bem além de 2026, mantendo preços elevados e margens apertadas para fabricantes de smartphones.

O que isso significa para você

Se a Samsung realmente registrar prejuízo em smartphones, esperamos ver menos incentivos para inovação no segmento móvel. Menos pesquisa, menos features novas, menos competição. Outros fabricantes como Apple e Google podem sofrer pressões similares, dependendo de contratos de suprimento de memória.

O cenário também levanta uma pergunta incômoda: quanto tempo uma gigante de tecnologia consegue bancar divisões não lucrativas antes de drásticas mudanças de estratégia? Para Samsung, a resposta pode estar mais próxima do que parece.

Matéria original: https://arstechnica.com/gadgets/2026/04/samsung-may-be-bracing-for-first-ever-annual-loss-in-smartphone-business/

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