Os pássaros fazem isso, as abelhas fazem isso, e até mesmo os peixes africanos fazem isso. A construção de ninhos é um comportamento exibido por diversos tipos de espécies. Portanto, como eles sabem construir esses refúgios? Um novo estudo sobre ciclídeos africanos publicado na revista Current Biology investigou suas habilidades de construção de ninhos e revelou uma interação fascinante entre instinto e aprendizado.
O Ciclídeo Africano: Um Construtor Impressionante
Originalmente encontrado em um massive lago de água doce na África Oriental, o ciclídeo africano (Neolamprologus ocellatus) também é um pet aquário popular. Além disso, as instruções de cuidado geralmente orientam os proprietários a deixarem uma concha de caracol vazia em seus tanques para que o peixe a enterre na areia e construa seus abrigos—uma tarefa desafiadora considerando que eles não possuem mãos.
Mas será que essa construção de ninhos é um instinto, ou é algo que aprendem? Para descobrir, pesquisadores do Instituto Max Planck para Inteligência Biológica criaram ciclídeos desde o nascimento até a idade adulta em tanques sem conchas. Posteriormente, isolaram os peixes em recintos com conchas impressas em 3D para registrar o que acontecia.
Instinto ou Aprendizado? O Que Revelou o Estudo
Apesar de terem vivido uma existência sem conchas, os ciclídeos conseguiram transformar as conchas artificiais em ninhos—eventualmente. Para alguns deles, levou dias para que iniciassem o processo de quatro etapas, muito mais longo do que nos ciclídeos selvagens. Entretanto, os comportamentos foram idênticos.
Os Quatro Passos da Construção do Ninho
O peixe primeiro se aproxima das conchas, examinando-as cuidadosamente. Em seguida, usa sua boca, barbatanas e cauda para escavar uma pequena depressão na areia, posicionando as conchas com a ponta para baixo. Além disso, movendo-se no sentido horário, manipula as conchas no substrato e as cobre com mais areia. Por fim, com suas casas completas, cuida delas, mantendo-as livres de detritos.
Os pesquisadores repetiram esse processo em três sessões diferentes com 10 dias separando-as. Por conseguinte, descobriram que os peixes aprenderam a construir seus pequenos lares aquáticos cada vez mais rapidamente. Essencialmente, a construção de ninhos era de fato inata, mas também era algo que conseguiam aprender para melhorar.
A Retenção de Conhecimento
Após manter os peixes afastados das conchas por um ano e reintroduzi-los, provaram ser tão rápidos quanto na terceira sessão, indicando que retiveram o aprendizado. Portanto, essa descoberta confirma a importância da memória no comportamento animal.
O Desafio das Conchas Invertidas
Para desafiar ainda mais os ciclídeos, os pesquisadores introduziram conchas impressas em 3D com uma espiral canhota—uma raridade na natureza. Surpreendentemente, após um tempo se reorientando, os peixes provaram ser tão capazes de girar as conchas invertidas no sentido anti-horário. Este resultado evidencia como a inteligência animal vai além do que esperamos.
O Que Revelam Esses Descobrimentos
“Por muito tempo, assumiu-se que a construção de ninhos consistia em padrões comportamentais puramente inatos,” afirmou Swantje Grätsch, autora do estudo. “Mas estudos em pássaros e nossa própria pesquisa mostram que habilidades cognitivas como aprendizado, memória e adaptação também desempenham papéis importantes.”
Esses achados sugerem que comportamentos complexos resultam de uma combinação de instinto e experiência. Além disso, tal compreensão amplia nossa percepção sobre capacidades cognitivas em diversas espécies. De maneira similar, pesquisas sobre longevidade humana mostram como o aprendizado contínuo beneficia o bem-estar em todas as idades.
Conclusão: A Natureza e a Educação Trabalhando Juntas
A pesquisa com ciclídeos africanos demonstra que muitos comportamentos que consideramos puramente instintivos envolvem componentes de aprendizado. Consequentemente, esses peixes nos recordam que a natureza e a educação trabalham juntas para moldar o comportamento animal. Portanto, compreender essa dinâmica nos ajuda a apreciar melhor a complexidade da vida aquática e animal em geral.
Matéria original: https://nautil.us/how-do-fish-know-how-to-build-nests-1279763/






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