A Inflência da Urbanização no Lanternfly (popularmente conhecida no Brasil como jequitiranaboia ou cobra-voadora)
As espécies invasoras apresentam um paradoxo interessante para geneticistas. Como suas populações fundadoras tendem a ser pequenas, elas possuem menos diversidade genética, o que limita seu potencial evolutivo para se adaptar ao novo ambiente. Entretanto, muitas conseguem prosperar mesmo assim.
Além disso, uma pesquisa recente realizada pela equipe da New York University oferece novos insights sobre esse dilema ecológico, focando no genome do lanternfly (lanterna-asiática).
O Lanternfly: Da China para os Estados Unidos
Originário da China, o lanternfly foi detectado nos Estados Unidos pela primeira vez em 2014. Desde então, suas populações aumentaram drasticamente, causando danos à vegetação nativa e ameaçando vinhedos. Portanto, estados e municípios emitiram ordens de “mate ao avistá-lo”, incentivando a população a eliminar esses invasores.
Diferenças Genéticas entre os Urbanos e Rurais
Para entender o sucesso dessa adaptação, os pesquisadores sequenciaram o genoma dos lanternflies em áreas rurais e urbanas da China e dos EUA. Surpreendentemente, as populações invasoras nos EUA mostraram similaridade genética mesmo em locais separados por até 120 milhas. Entretanto, o lanternfly urbano e o rural da China apresentaram diferenças genéticas significativas, apesar de estarem separados por apenas 20 milhas.
Genes Relacionados ao Estresse e Adaptação Urbana
Além disso, o estudo revelou que os lanternflies urbanos, em ambos os países, exibiram alterações genéticas ligadas às respostas ao estresse. Isso pode explicar como eles prosperam em ambientes urbanos movimentados e hostis, com calor intenso, poluição e uso intenso de pesticidas.
“Acreditamos que essas mudanças genéticas indicam como o lanternfly evoluiu para sobreviver em cidades tóxicas, não apenas na China, mas também nos Estados Unidos. Portanto, isso pode facilitar sua disseminação e dificultar seu controle no futuro”, explicou Fallon Meng, autora principal do estudo.
Cidades como Incubadoras Evolutivas
O grupo invasor que se estabeleceu nos EUA provavelmente originou-se dos lanternflies urbanos da China. Isso explica a infestação anual em Nova York a cada primavera. “Além disso, as cidades podem atuar como incubadoras evolutivas, ajudando espécies invasoras a lidar melhor com pressões como calor e pesticidas, o que facilita a adaptação em novos ambientes”, afirmou Feng, pesquisador do estudo.
Implicações para Pesquisas Futuras
Os pesquisadores esperam que esses achados estimulem abordagens mais integradas para o estudo de espécies invasoras, considerando as tendências de urbanização. “Vivemos em um mundo cada vez mais urbano; portanto, devemos estudar espécies invasoras e urbanização como partes interconectadas de um sistema. Além disso, seus efeitos podem se combinar de formas surpreendentes e sinérgicas, como demonstrado pelo lanternfly”, acrescentou Kristin Winchell, coautora.
Dicas para Combater o Lanternfly
Enquanto isso, para quem quer ajudar no combate, uma dica valiosa: o lanternfly possui apenas três grandes saltos antes de se exaurir. Portanto, focar nesses momentos aumenta as chances de eliminá-lo com sucesso.
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Matéria original: https://nautil.us/the-crucial-role-of-cities-in-the-lanternfly-invasion-1265741/






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