Introdução ao Lagarto Sem Pernas de Taiwan
Deslizando pela umidade das folhas caídas, nas profundezas das florestas de Taiwan, encontra-se uma criatura esquiva que confunde pesquisadores há décadas — o lagarto sem pernas formosano. Além disso, pesquisadores agora buscam esclarecer essa confusão com um estudo taxonômico publicado na revista ZooKeys.
Lagarto ou Cobra? As Diferenças Essenciais
Primeiramente, o que torna esse réptil sem membros um lagarto e não uma cobra? Por exemplo, ele possui orelhas, ou ao menos minúsculos orifícios externos para orelha, que as cobras não têm. Além disso, tem pálpebras e pode piscar, diferentemente das cobras, que possuem membranas transparentes fundidas protegendo os olhos. Finalmente, conta com um sulco lateral em cada lado do corpo que permite a expansão da pele.
Confusão Taxonômica: Dois Espécies ou Uma?
Embora a aparência possa confundir quem desconhece os detalhes da classificação de répteis, a confusão não se originou da distinção entre lagarto e cobra. Na verdade, naturalistas antigos acreditavam que havia dois lagartos sem pernas nas florestas de Taiwan: Dopasia formosensis e Dopasia harti.
O D. harti apresenta manchas azuis marcantes, enquanto o D. formosensis tem coloração bege uniforme, sem essas manchas. Entretanto, complicando a situação, o holótipo original de D. formosensis — o espécime de referência guardado em museus — desapareceu logo após a Segunda Guerra Mundial.
Nova Classificação e Descobertas Genéticas
Para resolver a confusão, pesquisadores da National Taiwan Normal University selecionaram um novo holótipo (ou “neótipo”) para a espécie D. formosensis. Além disso, análises moleculares demonstraram que a espécie incorretamente rotulada D. harti faz parte de D. formosensis.
Quanto às manchas, após analisar diversos espécimes, os pesquisadores concluíram que essas marcas são um exemplo de dicroísmo sexual — ou seja, somente machos sexualmente maduros apresentam as manchas azuis, enquanto as fêmeas e machos imaturos são mais discretos na coloração.
Comportamento e Conservação
O estudo também registrou o comportamento da espécie. Como esses lagartos sem pernas são notoriamente difíceis de encontrar em seus habitats naturais, os pesquisadores contam com o auxílio dos cientistas cidadãos da Rede de Observação de Mortes nas Estradas de Taiwan.
Com essa colaboração, foi possível identificar que os machos ficam mais ativos durante a época de reprodução e frequentemente brigam entre si, o que pode levar à perda das caudas anormalmente longas. Além disso, assim como outros lagartos, eles podem soltar a cauda em situações de estresse, mas, infelizmente, a cauda não volta a crescer. Por sua vez, as fêmeas demonstram comportamento de guarda dos ovos, permanecendo próximas à nidada até o nascimento dos filhotes.
Devido ao comportamento reservado desses lagartos, ainda não se sabe ao certo seu número na natureza, portanto seu status de conservação permanece incerto. Entretanto, os pesquisadores preferiram não perturbá-los e realizaram toda a análise com coleções já existentes.
Conclusão
Esse estudo ressalta a importância do trabalho meticuloso para esclarecer mistérios da natureza. Além disso, ele nos mostra como a colaboração entre pesquisa acadêmica e cientistas cidadãos pode ser fundamental para avanços científicos.
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Matéria original: https://nautil.us/the-mystery-of-the-legless-lizards-of-taiwan-1279267/






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