Uma estrela com até 260 vezes a massa do Sol parece ter se desfeito por inteiro, sem deixar buraco negro, estrela de nêutrons ou qualquer resto. Astrônomos liderados por Daichi Hiramatsu identificaram o evento, chamado de SN 2023vbw, como o candidato mais convincente a um tipo de morte estelar que a teoria prevê há décadas e que quase nunca aparece no céu: a supernova de instabilidade de pares.
Se a interpretação se confirmar, esta é uma das explosões mais violentas e mais raras já flagradas. Em vez de colapsar para dentro, a estrela teria explodido para fora com tanta força que nada sobrou.
O que torna a SN 2023vbw tão diferente
A maioria das estrelas massivas termina de um jeito previsível. O núcleo entra em colapso, parte da matéria é arremessada numa supernova brilhante e o que resta vira um buraco negro ou uma estrela de nêutrons. A SN 2023vbw rompe esse roteiro.
Em estrelas muito acima de 100 massas solares, o núcleo fica tão quente que a própria radiação começa a se transformar em pares de partículas e antipartículas, elétrons e pósitrons. Essa conversão rouba a pressão que segurava a estrela contra a própria gravidade. O astro encolhe de repente, o que dispara uma fusão termonuclear descontrolada e libera energia suficiente para rasgar a estrela inteira. Não fica núcleo, não fica buraco negro. Por isso o nome: instabilidade de pares.
Pense numa panela de pressão que perde a tampa por dentro. A força que mantinha tudo no lugar some de uma vez, e a explosão consome o conteúdo por completo.
Como os astrônomos flagraram a SN 2023vbw?
O Zwicky Transient Facility, um telescópio de varredura do céu na Califórnia, captou o brilho da explosão em outubro de 2023. A fonte estava a cerca de 1,3 bilhão de anos-luz da Terra, na periferia de uma galáxia anã pobre em metais, justamente o ambiente onde a teoria prevê que estrelas tão massivas conseguem se formar.
O comportamento da luz chamou atenção. Em vez do pico rápido das supernovas comuns, o brilho subiu de forma lenta e constante por cerca de 190 dias. A explosão irradiou aproximadamente 3 × 10⁵⁰ ergs, mais de dez vezes a energia de uma supernova de tipo II típica, e manteve a temperatura quase estável enquanto se expandia. Esses sinais batem com o que os modelos esperam de uma estrela de 140 a 260 massas solares se autodestruindo.
Por que isso importa para a astronomia?
As primeiras estrelas do universo provavelmente eram gigantes desse porte. Estudar uma explosão de instabilidade de pares hoje ajuda a entender como esses astros viveram e morreram bilhões de anos atrás, e como espalharam pelo espaço os elementos que formaram as gerações seguintes de estrelas e planetas.
Cada evento desse tipo também testa os limites dos modelos de evolução estelar. Quanto mais casos os astrônomos reunirem, mais clara fica a fronteira entre as estrelas que viram buracos negros e as que somem por completo.

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O que ainda falta confirmar?
Vale uma ressalva importante. O trabalho que descreve a SN 2023vbw foi publicado em maio de 2026 no arXiv, um repositório de artigos científicos que ainda não passaram por revisão por pares. A classificação como supernova de instabilidade de pares é o cenário mais provável diante dos dados, mas outros mecanismos ainda não foram totalmente descartados. A confirmação depende de novas análises e da comparação com futuros eventos parecidos.
Os telescópios que vão caçar essas explosões
A próxima geração de observatórios deve transformar esses achados raros em algo mais frequente. O Observatório Vera Rubin, no Chile, vai mapear o céu inteiro a cada poucas noites e tende a flagrar muito mais explosões distantes. O Telescópio Espacial Nancy Grace Roman, da NASA, somará observações no infravermelho que ajudam a estudar as galáxias jovens onde essas gigantes nascem. Com mais casos na mão, os astrônomos poderão dizer com segurança quão comum é uma estrela sumir sem deixar rastro.
Foto: Yare Andrades no Pexels
Matéria original: https://phys.org/news/2026-05-giant-star-destroyed-universe-rarest.html






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