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Quando formamos nossa capacidade cognitiva?

Crescimento adequado nos primeiros meses de vida prediz melhor conectividade cerebral e desempenho cognitivo em crianças, aponta estudo na Gâmbia.

Ilustração do cérebro de um bebê com redes de conectividade neural destacadas em azul e verde
Ilustração do cérebro de um bebê com redes de conectividade neural destacadas em azul e verde

Pesquisadores estudaram como o crescimento físico de bebês nos primeiros meses de vida influencia a organização funcional do cérebro e prevê a capacidade de flexibilidade cognitiva na pré-escola. O trabalho, publicado pela eLife, acompanhou crianças de 5 a 24 meses e descobriu que o crescimento acelerado antes do quinto mês de vida levou a trajetórias ideais de conectividade cerebral, que depois predisseram melhor desempenho cognitivo aos 3-5 anos de idade.

Como a pesquisa foi feita?

Os pesquisadores realizaram um estudo longitudinal com crianças de uma população rural na Gâmbia. Utilizaram espectroscopia funcional de infravermelho próximo (fNIRS) para medir a conectividade funcional cerebral em bebês aos 5, 12 e 24 meses de idade. Posteriormente, avaliaram a flexibilidade cognitiva das mesmas crianças entre 3 e 5 anos. O crescimento físico foi acompanhado ao longo do mesmo período.

O que os dados mostram sobre a capacidade cognitiva?

O estudo revelou que bebês com melhor crescimento físico nos primeiros cinco meses apresentaram padrões mais otimizados de conectividade funcional cerebral ao longo do período de 5 a 24 meses. Esses padrões de conectividade, por sua vez, estavam associados a melhor desempenho em testes de flexibilidade cognitiva na idade pré-escolar.

Um achado importante foi que a amostra gambiana apresentou um padrão diferente de conectividade interhemisférica (entre os dois lados do cérebro) comparado com populações de países ricos: as conexões de longo alcance diminuíram com a idade, contrariamente ao que se observa em outras populações estudadas.

Os dados sugerem que a desnutrição e o crescimento inadequado nos primeiros meses de vida podem afetar o desenvolvimento da rede cerebral e impactar posteriormente o desempenho cognitivo durante a pré-escola.

O que isso muda na prática?

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O estudo reforça a importância dos primeiros 1000 dias de vida para o desenvolvimento cerebral infantil. Os achados indicam que monitorar o crescimento físico nos primeiros meses pode ser um marcador útil para identificar crianças em risco de atraso no desenvolvimento cognitivo, especialmente em regiões com alta prevalência de desnutrição.

A pesquisa também apoia a necessidade de programas de intervenção precoce, como suplementação nutricional e acompanhamento de crescimento, em populações de baixa e média renda onde a desnutrição infantil é mais prevalente. Esses dados sugerem que melhorar o crescimento físico adequado nos primeiros meses pode ter efeitos positivos mensuráveis no desenvolvimento cerebral e no desempenho cognitivo posterior.

Limitações do estudo

Embora as evidências sobre a evolução da conectividade cerebral sejam sólidas, as análises que ligam essas trajetórias de conectividade com condições adversas como desnutrição e desenvolvimento cognitivo posterior são apenas parcialmente sustentadas. Os pesquisadores apontam que dados longitudinais insuficientes e poder estatístico limitado afetam algumas das conclusões. O estudo foi conduzido especificamente em uma população rural gambiana, portanto os resultados podem não se aplicar igualmente a todas as populações infantis. Além disso, associação entre crescimento e conectividade não prova causa direta.

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Referência: Estudo publicado na revista eLife.

Nota do editor: Este conteúdo foi baseado em evidências científicas para fins informativos. Em caso de preocupações com o crescimento ou desenvolvimento infantil, consulte um pediatra.

Foto: Keira Burton no Pexels

Matéria original: https://elifesciences.org/articles/94194

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