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A 1,5 km de profundidade, micróbios se organizam como cidade subterrânea

Estudo da Northwestern revela que a biosfera profunda da Terra, com 20% da vida microbiana do planeta, se organiza em guildas onde cada micróbio cumpre uma função.

Representação de comunidades microbianas organizadas no solo, mostrando bactérias e fungos trabalhando juntos
Representação de comunidades microbianas sendo coletadas no interior do planeta.

A até 1,5 quilômetro de profundidade, dentro da água presa em rachaduras das rochas, existem comunidades de micróbios organizadas como uma cidade onde cada bairro tem o seu encanador. É essa a imagem que pesquisadores da Universidade Northwestern, nos Estados Unidos, usam para descrever o que encontraram no subsolo profundo da Terra, um dos maiores e menos conhecidos ecossistemas do planeta.

O estudo, liderado pela geobióloga Magdalena Osburn, mostra que esses microrganismos não vivem espalhados ao acaso. Eles se distribuem em funções bem definidas, o que os cientistas chamam de guildas microbianas. O trabalho saiu no Journal of Geophysical Research—Biogeosciences.

Uma biosfera escondida a 1,5 km de profundidade

O subsolo profundo abriga cerca de 20% de toda a vida microbiana da Terra. Não se trata da terra de jardim, e sim de camadas muito abaixo da superfície, onde a água circula por fraturas na rocha. Para chegar lá, a equipe trabalhou em uma antiga mina de ouro, a Homestake, hoje convertida no Sanford Underground Research Facility, em Dakota do Sul. Entre 2015 e 2019, os pesquisadores perfuraram a rocha em seis pontos, de 250 a 1.500 metros de profundidade, e coletaram os fluidos com micróbios para sequenciar o material genético.

Micróbios organizados como profissões

O achado central é a divisão de trabalho. Cada local tem espécies diferentes, mas todas cumprem os mesmos papéis essenciais. “Cada um é preenchido por tipos diferentes de micróbios, mas todos têm um encanador”, resume Osburn. Parte da comunidade forma um núcleo estável, que mantém os processos básicos funcionando. Outra parte é mais dinâmica e reage à oferta de nutrientes.

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“Ilhas no mesmo oceano”

A maior surpresa foi a consistência dessa organização entre pontos bem distintos. “Achávamos que seria como coletar amostras em pontos diferentes da mesma floresta, mas era mais como amostrar ilhas diferentes no mesmo oceano”, contou a pesquisadora. Cada sítio era um mundo próprio em termos de espécies, e ainda assim os papéis funcionais se repetiam.

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Por que isso importa?

Entender quem vive no subsolo profundo ajuda a prever o comportamento de processos que afetam a superfície. Esses micróbios participam do ciclo do carbono, o que tem relação direta com projetos de armazenar carbono no subsolo para combater o aquecimento global e com a exploração de energia geotérmica. Há também um alerta prático: micróbios hoje adormecidos, capazes de metabolizar ferro, enxofre e nitrogênio, podem despertar quando o ambiente é perturbado e corroer estruturas e equipamentos.

O que parecia um caos invisível se revela um sistema tão organizado quanto uma floresta acima do solo. Com a diferença de que quase ninguém olha para ele, embora boa parte da vida do planeta dependa do seu funcionamento.

Foto: Monstera Production no Pexels

Matéria original: https://phys.org/news/2026-06-microbial-guilds-earth-underground-biosphere.html

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