Um medicamento antiviral usado contra o coronavírus provocou uma transformação inusitada nos olhos de um lactente de seis meses em Bangkok. Após 18 horas tomando favipiravir, a criança acordou com a córnea tingida de azul-púrpura, um efeito colateral nunca antes documentado em bebês.
O que aconteceu na Bangkok
O menino foi internado com febre e tosse persistentes. Os médicos confirmaram COVID-19 e iniciaram o tratamento com favipiravir, um antiviral de amplo espectro frequentemente prescrito para gripes, Ebola e alguns enterovírus. O coronavírus também é um vírus de RNA, e favipiravir começou a ser usado contra a COVID-19 em 2020.
A mãe foi quem primeiro notou a mudança. Enquanto os olhos do filho eram normalmente castanho-escuro, a córnea adquiriu uma tonalidade azulada quando exposta à luz solar. Nenhuma descoloração apareceu na pele, unhas ou cabelo da criança.
Por que os olhos ficaram azuis?
Pesquisadores suspeitam que o favipiravir libera compostos fluorescentes durante o metabolismo do corpo, e essas moléculas se acumulam na córnea. Dr. Vik Sharma, cirurgião oftalmológico do London Ophthalmology Centre, explicou esse mecanismo em comunicação anterior.
Esse não era o primeiro caso registrado. Um ano antes, em 2021, médicos na Índia descreveram um homem de 20 anos que também desenvolveu uma tonalidade azulada na córnea após iniciar favipiravir. Quando o medicamento foi interrompido, a cor retornou ao normal no dia seguinte.
Na Turquia, quatro pacientes com COVID-19 desenvolveram características fluorescentes similares após favipiravir. Sob luz ultravioleta Wood’s (que detecta fluorescência), seu cabelo e unhas brilhavam com um tom azul-verde. Estudos posteriores confirmaram que os próprios comprimidos de favipiravir exibem fluorescência.
Como terminou o tratamento com Favipiravir?
Após três dias recebendo o medicamento, os sintomas de COVID do bebê melhoraram significativamente. No quinto dia, o pediatra recomendou descontinuar o favipiravir. Embora o relato clínico não especifique se a descoloração ocular reverteu completamente, o padrão observado em outros pacientes sugere que a mudança é reversível quando o medicamento é suspenso.
Esse caso levanta questões importantes sobre efeitos colaterais raros em populações pediátricas. Embora a fluorescência ocular seja cosmética e não prejudicial à visão, representa um aviso de que medicamentos antivirais podem afetar o corpo de maneiras inesperadas, especialmente em crianças pequenas cujos organismos ainda estão em desenvolvimento.
A importância clínica deste relato está em alertar profissionais de saúde sobre uma reação adversa potencial que merece monitoramento, particularmente quando favipiravir é prescrito para bebês ou crianças pequenas durante tratamentos de COVID-19 ou outras infecções virais graves.
Foto: https://www.frontiersin.org/journals/pediatrics/articles/10.3389/fped.2023.1154814/full
Matéria original: https://www.livescience.com/health/medicine-drugs/diagnostic-dilemma-an-infants-brown-eyes-turned-indigo-after-covid-antiviral-treatment




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