Cientistas descobriram que baleias-cachalote usam padrões similares à fala humana nos seus cliques característicos, segundo análise do projeto CETI. Os sons estaccato que esses mamíferos marinhos emitem podem parecer ruído aleatório, mas a pesquisa revela um sistema de comunicação com complexidade comparável à nossa própria linguagem.
O estudo, liderado pelo linguista Gašper Beguš da Universidade da Califórnia em Berkeley, analisou 3.948 vocalizações de codas em 15 indivíduos diferentes. Dessa forma, os pesquisadores identificaram que esses sons seguem regras estruturadas similares às observadas na fala humana, sugerindo uma evolução independente de sistemas de comunicação sofisticados.
Estrutura de comunicação em padrões de fala
As baleias-cachalote vivem em grupos matrilineares coesos, com laços familiares fortes que facilitam relacionamentos cooperativos. Portanto, essas estruturas sociais complexas naturalmente exigem habilidades de comunicação sofisticadas. Além disso, suas reuniões em grupo são acompanhadas por uma paisagem sonora de cliques que se propagam por quilômetros no oceano.
A equipe de pesquisadores identificou que as codas das baleias-cachalote caem em categorias distintas que se comportam como sons vocálicos na fala humana. Entretanto, essas categorias possuem diferenças consistentes em comprimento, padrões e interações com sons vizinhos.
Tipos de codas: a-codas e i-codas
Os cientistas descobriram dois tipos diferentes de codas com estruturas formantes distintas—ou seja, as estruturas das frequências ressonantes do som. Por exemplo, codas com um formante foram chamadas de “a-codas”, enquanto aquelas com dois formantes receberam a denominação “i-codas”.
Essas categorias não apenas se assemelham acusticamente às vogais humanas, mas também se comportam como elas de várias formas. Consequentemente, as a-codas são mais longas que as i-codas, e as i-codas também possuem versões mais curtas e mais longas. Segundo os pesquisadores, essa variação sugere um sistema altamente estruturado.
Individualidade e influência contextual
Cada baleia tem seu próprio cronograma para usar essas codas, e sons vizinhos podem influenciar uns aos outros, semelhante aos sons compostos na fala humana. Por exemplo, as vogais “a” e “u” juntas criam o som “au”.
Os investigadores afirmam que “todas as cinco propriedades têm paralelos próximos na fonética e fonologia das línguas humanas, sugerindo evolução independente”. Dessa forma, as vocalizações de codas de baleias-cachalote são altamente complexas e representam um dos paralelos mais próximos à fonologia humana em qualquer sistema de comunicação animal analisado.
Implicações para compreensão da inteligência animal
Estes achados convergem com investigações anteriores que sugerem que a inteligência animal surpreende cientistas em aspectos inesperados. Além disso, o trabalho de 2024 do Project CETI já havia encontrado que os sons das codas eram “mais expressivos e estruturados do que previamente acreditado”, com características que podem ser combinadas de formas comparáveis aos elementos da fala humana.
Entretanto, aquele estudo anterior não explorou como as partes constituintes eram estruturadas internamente. Agora, a nova análise revela pelo menos algumas dessas estruturas internas, abrindo caminho para futuras investigações sobre a sofisticação dos sistemas de comunicação cetáceos.
A pesquisa faz parte do The Dominica Sperm Whale Project, que ocorre no Caribe Oriental desde 2014. Portanto, essa investigação contínua oferece perspectivas cada vez mais detalhadas sobre como esses gigantes marinhos se comunicam, desafiando nossas compreensões anteriores sobre as capacidades cognitivas e comunicativas de espécies não-humanas. Com descobertas como essas, é cada vez mais claro que longevidade humana e segredos do envelhecimento não são os únicos aspectos fascinantes da biologia que merece atenção cientifica profunda.
Matéria original: https://www.sciencealert.com/scientists-found-human-speech-like-patterns-in-sperm-whale-clicks






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