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Víde a incrível cirurgia de troca de sexo – Feminino para masculino

troca de sexo

Cirurgia de troca de sexo: como é feita, o que muda e a história por trás do procedimento

A cirurgia de troca de sexo, tecnicamente chamada de cirurgia de redesignação sexual (CRS), é o conjunto de procedimentos cirúrgicos que alteram as características físicas de uma pessoa para alinhar seu corpo à identidade de gênero com a qual ela se reconhece.

Não se trata de uma única cirurgia, mas de um processo que pode envolver várias etapas ao longo de anos, e que geralmente começa muito antes do centro cirúrgico, com hormonioterapia e acompanhamento psicológico.


O que é a cirurgia de redesignação sexual?

A redesignação sexual engloba procedimentos que modificam características anatômicas primárias e secundárias. O objetivo não é apenas estético: é aliviar a disforia de gênero, o sofrimento causado pela incompatibilidade entre o gênero sentido internamente e o corpo físico.

O processo completo pode levar de dois a cinco anos, dependendo do país, do sistema de saúde e das escolhas individuais de cada pessoa.

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Cirurgia de masculino para feminino (MTF): como é feita

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A transição cirúrgica de masculino para feminino envolve procedimentos genitais e não genitais. Nem toda pessoa trans opta por todos eles.

Vaginoplastia — o procedimento genital mais comum na transição MTF. Consiste na construção de uma vagina funcional a partir dos tecidos do pênis e do escroto. Há duas técnicas principais:

  • Inversão peniana: a pele do pênis é invertida para formar o canal vaginal. É a técnica mais utilizada no mundo.
  • Vaginoplastia com enxerto de cólon: utiliza um segmento do intestino grosso para construir o canal vaginal. Usada quando há tecido peniano insuficiente.

Outros procedimentos MTF frequentes:

  • Orquiectomia (remoção dos testículos)
  • Clitoroplastia (construção do clitóris)
  • Labioplastia (construção dos lábios vaginais)
  • Cirurgia de feminização facial (redução da testa, mandíbula, maçã do rosto)
  • Aumento de mama com implantes

Cirurgia de feminino para masculino (FTM): como é feita

A transição cirúrgica de feminino para masculino também não segue um caminho único. Muitos homens trans optam por apenas alguns dos procedimentos disponíveis.

Mastectomia bilateral (top surgery) — é a cirurgia mais escolhida por homens trans. Remove o tecido mamário e reconstrói o contorno do tórax com uma aparência masculina. É frequentemente o primeiro procedimento realizado.

Histerectomia — remoção do útero e, em alguns casos, dos ovários. Muitos homens trans optam por esse procedimento para eliminar a menstruação e reduzir riscos associados ao uso prolongado de testosterona.

Faloplastia — construção de um pênis a partir de tecido enxertado de outras partes do corpo (antebraço, coxa ou abdômen). É um procedimento complexo, realizado em múltiplos estágios. Foi desenvolvida pelo cirurgião Harold Gillies em 1946, e a técnica moderna ainda se baseia nos princípios que ele estabeleceu.

Metoidioplastia — alternativa à faloplastia, esse procedimento cria um pênis menor a partir do clitóris, que já cresce com o uso de testosterona. Tem a vantagem de preservar a sensibilidade erógena. Foi formalizada como técnica em 1999.


Antes da cirurgia: o que acontece primeiro?

Em praticamente todos os países que regulamentam o procedimento, a cirurgia de redesignação sexual exige uma série de etapas anteriores:

  1. Acompanhamento psicológico — avaliação e suporte por psicólogos ou psiquiatras especializados em identidade de gênero.
  2. Hormonioterapia — pessoas MTF usam estrogênio e antiandrógenos; pessoas FTM usam testosterona. O tratamento hormonal dura no mínimo um ano antes de qualquer cirurgia genital na maioria dos protocolos.
  3. Vivência no gênero — muitos protocolos exigem um período de vida plena no gênero de identificação antes da cirurgia.
  4. Avaliação médica geral — exames cardiológicos, hormonais e de saúde geral para garantir que o paciente suporte os procedimentos.

No Brasil, o Sistema Único de Saúde (SUS) oferece a cirurgia de redesignação sexual desde 2008, regulamentada pela Resolução CFM nº 1.955/2010. O processo pelo SUS exige dois anos de acompanhamento multidisciplinar.

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Como fica depois da cirurgia?

Os resultados variam de acordo com a técnica utilizada, o cirurgião e a anatomia individual de cada pessoa.

Na vaginoplastia, a maioria das pacientes relata resultados funcionais e estéticos satisfatórios. A sensibilidade genital é preservada na maioria dos casos com as técnicas modernas. O período de recuperação completa leva entre 12 e 18 meses, com dilatações vaginais regulares durante os primeiros meses para manter o canal aberto.

Na faloplastia, o resultado estético e funcional depende muito da técnica e do número de estágios realizados. A sensibilidade é parcial e varia por paciente. A ereção pode ser obtida com próteses penianas implantadas em um estágio posterior.

Na mastectomia bilateral, a recuperação é mais rápida — geralmente de quatro a seis semanas — e os resultados são considerados pelos pacientes como transformadores, com impacto direto na qualidade de vida e bem-estar.

Leia também: Órgãos sexuais — curiosidades da biologia


Vídeos sobre o procedimento

Os vídeos abaixo mostram como os procedimentos são realizados. Atenção: contêm imagens cirúrgicas fortes.

Vídeo 1 — Cirurgia documentada

Vídeo 2

Vídeo 3

Vídeo 4

Vídeo 5 — Procedimento de redesignação sexual

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A história da cirurgia de redesignação sexual

O desejo de modificar o próprio corpo para corresponder à identidade de gênero não é novo. Os primeiros registros documentados de procedimentos cirúrgicos com esse objetivo datam do início do século XX.

Em 1917, nos Estados Unidos, o Dr. Alan L. Hart — especialista em tuberculose — foi um dos primeiros casos documentados de uma pessoa trans (de mulher para homem) a se submeter a histerectomia e gonadectomia para alívio da disforia de gênero.

Em Berlim, 1931, Dora Richter tornou-se a primeira mulher transgênero com registro documentado de vaginoplastia. Pouco depois, em Dresden, Lili Elbe passou por uma série de cinco cirurgias entre 1930 e 1931 — incluindo orquiectomia, penectomia e uma tentativa de transplante uterino que não teve sucesso e resultou em sua morte. A história de Lili Elbe foi retratada no filme A Garota Dinamarquesa (2015).

Em 1946, o cirurgião britânico Harold Gillies, que havia desenvolvido técnicas de cirurgia reconstrutiva durante a Segunda Guerra Mundial, realizou a primeira faloplastia documentada, criando uma técnica que influencia os procedimentos modernos até hoje.


A cirurgia e a lei

O reconhecimento legal da redesignação sexual foi consolidado ao longo de décadas de disputas jurídicas.

Em 2003, o Tribunal Europeu de Direitos Humanos julgou o caso Van Kück vs. Alemanha a favor de uma mulher trans cuja seguradora havia se recusado a cobrir os custos da cirurgia e da hormonioterapia. O tribunal entendeu que a negativa violava o direito à vida privada garantido pelo artigo 8 da Convenção Europeia dos Direitos Humanos.

Em 2011, Christiane Völling venceu o primeiro processo judicial bem-sucedido movido por uma pessoa intersex contra um cirurgião por redesignação sexual realizada sem consentimento informado — um marco para os direitos de pessoas intersex no mundo.

No Brasil, o Supremo Tribunal Federal decidiu em 2018 que pessoas trans podem alterar nome e gênero nos documentos sem necessidade de cirurgia ou laudos médicos.


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Fonte: Wikipedia — Sex reassignment surgery

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