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Supervulcão de Yellowstone funciona de forma que desafia tudo o que sabíamos

Cientistas descobrem que supervulcão de Yellowstone é alimentado por forças tectônicas, não por pluma mantélica profunda. O que isso muda?

supervulcão yellowstone

Cientistas chineses acaban de publicar uma descoberta que pode reescrever o que sabemos sobre um dos vulcões mais temidos do planeta. O supervulcão de Yellowstone, nos Estados Unidos, não funciona como a maioria dos pesquisadores acreditava.

A teoria que caiu por terra

Durante décadas, a explicação mais aceita era a existência de uma pluma mantélica sob Yellowstone. Trata-se de uma coluna de rocha superaquecida que sobe o núcleo da Terra até a superfície, alimentando o vulcão com calor profundo. Mas um novo estudo publicado na revista Science na semana passada mudou essa ideia.

Pesquisadores do Instituto de Geologia e Geofísica da Academia Chinesa de Ciências criaram um modelo 3D detalhado que simulou os movimentos das placas tectônicas na América do Norte, a estrutura atual do manto sob Yellowstone e dados sobre a litosfera, a camada rígida da superfície terrestre. O resultado surpreendeu: o sistema magmático de Yellowstone é controlado por tectonia, não por uma pluma profunda.

O que realmente acontece embaixo de Yellowstone?

A litosfera sob Yellowstone tem densidades diferentes em várias regiões, o que cria tensões que puxam a crosta em direções opostas. Uma dessas forças arrasta a superfície em direção à costa oeste dos Estados Unidos, como uma massa de pão sendo esticada lentamente ao longo de milhões de anos.

Esse processo de estiramento crustal gera calor suficiente para manter os reservatórios de magma ativos, sem necessidade de uma fonte de calor vinda das profundezas do manto terrestre.

“Nosso trabalho muda a compreensão de como o sistema magmático funciona, então modelos futuros de erupção terão que considerar isso”, disse Dr. Lijun Liu, coautor do estudo, à Live Science.

Por que isso importa?

A descoberta tem implicações práticas imediatas. Se o vulcão é alimentado por forças tectônicas locais, os cientistas podem refinar seus modelos de previsão de erupções. Em vez de depender de teorias sobre plumas invisíveis nas profundezas, poderão monitorar sinais mais próximos da superfície.

Jamie Farrell, sismologista-chefe do Observatório do Vulcão Yellowstone que não participou do estudo, inumerou a importância dessa distinção. “As consequências dessas diferentes hipóteses determinam o que esperamos para o futuro do sistema vulcânico de Yellowstone”, afirmou.

O histórico impressionante de Yellowstone

Nos últimos 2,1 milhões de anos, Yellowstone registrou três grandes erupções. A mais recente aconteceu há 631 mil anos e criou a caldera que existe hoje, com mais de 80 quilômetros de extensão. Uma caldera é a depressão em forma de tigela deixada no solo após o material fundido explodir para a superfície.

A próxima erupção, quando ocorrer, terá impacto em todo o continente norte-americano e consequências climáticas globais. Por isso, entender exatamente como o sistema funciona não é apenas uma questão acadêmica.

O debate que continua

Apesar dos novos dados, nem todos os cientistas estão convincentes. A comunidade geológica ainda debate ativamente se existe ou não alguma contribuição de uma pluma mantélica para o sistema de Yellowstone. O que o novo estudo demonstra é que a tectônica é suficiente para explicar a atividade vulcânica observada.

A pesquisa não elimina completamente a possibilidade de uma pluma, mas mostra que ela não é necessária para alimentar o supervulcão. É uma diferença sutil, mas fundamental para os modelos de monitoramento.

O que os especialistas concordam é que Yellowstone permanece ativo e merece atenção contínua. A caldera continua produzindo gêiseres, tremores e deformações no solo que são monitoradas 24 horas por dia.

Matéria original: https://www.livescience.com/planet-earth/volcanoes/yellowstones-volcano-may-be-fueled-in-a-very-different-way-than-we-thought

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