Um achado raro na costa da África do Sul está desafiando o que os cientistas pensavam sobre a extinção dos dinossauros na região. Pesquisadores descobriram mais de duas dezenas de pegadas de dinossauro preservadas em rocha do período Cretáceo, numa área tão pequena que cabe em dois campos de futebol.
O que torna essa descoberta tão relevante é simples: durante milhões de anos, a região ficou praticamente vazia de fósseis de dinossauros. Agora os cientistas sabem que esses animais nunca desapareceram completamente da África do Sul.
Dinossauros que sobreviveram a erupções vulcânicas
Há cerca de 182 milhões de anos, erupções vulcânicas gigantescas cobriram a Bacia do Karoo, na África do Sul, com lava. Depois disso, o registro fóssil da região praticamente desapareceu durante o período Jurássico inteiro—uma lacuna assustadora de milhões de anos. Os cientistas pensavam que os dinossauros não tinham voltado para lá.
Mas os dinossauros foram mais resilientes do que se imaginava. À medida que o supercontinente Gondwana começava a se despedaçar, no final do Jurássico e início do Cretáceo, novas bacias se formaram na costa. Dinossauros migraram para essas regiões. Agora temos a prova disso.
O achado na costa: pegadas com 132 milhões de anos
Em 2025, uma equipe de icnologistas—cientistas que estudam pegadas fósseis—trabalhava perto de Knysna, na costa ocidental sul-africana. Normalmente exploram pegadas com 50 mil a 400 mil anos de idade preservadas em dunas cimentadas. Mas numa visita no início de 2025, decidiram investigar uma pequena afloração rochosa do Cretáceo primitivo, a única dessa época na região.
Linda Helm, membro da equipe, viu algo extraordinário: pegadas de dinossauro. Não uma ou duas—mais de duas dezenas delas. Estimam que tenham 132 milhões de anos, tornando-as as pegadas de dinossauro mais jovens já encontradas na África do Sul. Isso significa que dinossauros ainda andavam por lá 50 milhões de anos depois do que se pensava anteriormente.
Por que tantas pegadas num espaço tão pequeno
O local é minúsculo: apenas 40 metros de comprimento, cinco metros de largura e falésias com cinco metros de altura que desaparecem na maré alta. Encontrar tantas pegadas nessa área microscopicamente pequena revela algo surpreendente sobre como esses animais viviam.
A concentração de pegadas sugere que dinossauros eram bastante comuns na região durante o Cretáceo. Não eram apenas visitantes ocasionais—eram parte da comunidade animal estabelecida. Algumas pegadas aparecem em superfícies planas de rocha, enquanto outras estão preservadas em seção transversal nas falésias, congeladas no tempo por sedimento que as cobriu e protegeu.
Fechando lacunas de 182 milhões de anos
A história da vida na África do Sul durante a era dos dinossauros é marcada por períodos de abundância e silêncios perturbadores. Pegadas do Triássico e Jurássico são comuns em Lesoto e regiões próximas. Depois, o vulcanismo as enterrou. Agora, as novas descobertas na costa mostram que os dinossauros não desistiram—apenas se relocalizaram.
Essa é apenas a segunda série conhecida de pegadas de dinossauros do Cretáceo na África do Sul, e a segunda da costa ocidental. Cada pegada adicional preenche lacunas críticas no entendimento de como esses animais se espalhavam pela África enquanto o planeta passava por transformações geológicas massivas.
A próxima vez que você olhar para uma costa rochosa, lembre-se: há 132 milhões de anos, dinossauros caminhavam nessas mesmas areias. E ainda temos muito a aprender sobre onde eles foram e por que seus caminhos foram apagados—até agora.
Matéria original: https://www.sciencedaily.com/releases/2026/04/260423031547.htm






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