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Metais tóxicos encontrados em bananas após desastre no Brasil

Estudo revela metais tóxicos em bananas cultivadas perto do desastre da barragem de Fundão, no Brasil, indicando riscos à saúde infantil e desafios para a segurança alimentar.

Metais tóxicos

Impacto do desastre da barragem de Fundão na agricultura local

Mais de uma década após o colapso catastrófico da barragem de Fundão, no Brasil, cientistas descobriram evidências preocupantes de que resíduos de mineração ainda estão chegando aos alimentos do dia a dia. Por exemplo, pesquisadores das áreas de ciência do solo, engenharia ambiental e saúde pública da Universidade de São Paulo (USP), Universidade Federal do Espírito Santo (UFES) e da Universidade de Santiago de Compostela, na Espanha, investigaram se as colheitas cultivadas próximas à foz do Rio Doce são seguras para consumo.

A região de Linhares, no Espírito Santo, tem sido constantemente exposta aos rejeitos da mineração de ferro desde o desastre ocorrido em Minas Gerais, em novembro de 2015. A equipe concentrou-se na análise de bananas, mandioca e polpa de cacau cultivadas em solo afetado pela tragédia. Além disso, avaliou níveis de metais como cádmio, cromo, cobre, níquel e chumbo, ligados aos óxidos de ferro, componente principal dos rejeitos. O estudo sugere que comer bananas cultivadas em solo contaminado pode representar risco potencial à saúde de crianças de até seis anos.

Risco à saúde humana causado pela contaminação do solo

“Nosso grupo estuda os impactos do rompimento da barragem há anos. Obtemos as primeiras amostras sete dias após o acidente e logo percebemos o risco iminente de contaminação em plantas, solo, água e peixes. Entretanto, ainda havia a pergunta: essa contaminação representa perigo à saúde humana?”, relembra Tiago Osório, agrônomo e professor do Departamento de Ciência do Solo da ESALQ-USP.

O estudo, publicado na revista Environmental Geochemistry and Health, explica como as plantas absorvem elementos potencialmente tóxicos (EPTs) dos rejeitos de mineração e os acumulam em tecidos comestíveis. Além disso, detalha o caminho dessas substâncias até a cadeia alimentar humana. A pesquisa faz parte da tese de doutorado de Amanda Duim na ESALQ. Seu trabalho gerou sete publicações internacionais e recebeu dois prêmios importantes em 2025: o Prêmio USP de Tese em Sustentabilidade e o Prêmio Capes de Tese, concedidos pelo Ministério da Educação do Brasil.

Como o solo contaminado transfere metais para as plantas

A líder do estudo, Amanda Duim, destaca que a pesquisa é inovadora por vincular diretamente o risco à saúde humana ao trânsito dos EPTs do solo para as plantas. “O conteúdo de óxido de ferro no solo, principal constituinte dos rejeitos, correlaciona-se com sua concentração nas plantas. Estudamos a passagem dos constituintes dos rejeitos para o solo, da água e, por fim, para a planta, incluindo folhas e frutos.”

Além disso, Osório explica que “primeiro precisamos identificar quais elementos estão presentes e em que quantidades para compreender a dinâmica bioquímica do seu desprendimento”.

Pesquisa de campo e análise dos alimentos

Desde 2019, Duim investiga se plantas de áreas sujeitas a enchentes podem ajudar a restaurar ambientes contaminados. Ela avaliou tanto espécies cultivadas como nativas. “Analisamos espécies nativas para entender como influenciam na dissolução do óxido de ferro e se os EPTs associados são absorvidos. Já em culturas agrícolas, buscamos saber se esses metais passam para frutos e partes comestíveis das plantas”, explica ela.

Para medir a contaminação, os pesquisadores coletaram cuidadosamente amostras de solo e planta. Eles lavaram e pesaram as plantas frescas, depois as secaram para nova pesagem. Raízes, caules, folhas e frutos descascados foram moídos separadamente para análise. Este método foi essencial para identificar os níveis de metais tóxicos presentes.

Por fim, vale destacar que a presença de metais tóxicos em alimentos comuns reforça a importância de acompanhar e investir em soluções para esses impactos ambientais. Por exemplo, a terapia celular contra o câncer representa uma nova fronteira na medicina, mas a prevenção a partir da segurança alimentar ainda é crucial.

Além disso, para quem se interessa por temas relacionados, vale a leitura também sobre doença renal, que aborda outro aspecto da saúde ameaçada por contaminantes ambientais.

Matéria original: https://www.sciencedaily.com/releases/2026/02/260217005756.htm

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