Os astronautas do Artemis II que reacenderam o interesse lunar pela humanidade elogiaram o desempenho da sua nave durante o retorno à Terra. Em sua primeira coletiva de imprensa desde o retorno, os três americanos e um canadense afirmaram que o sobrevoo lunar coloca a NASA em posição muito melhor para um pouso na Lua daqui a dois anos.
O retorno do Artemis II foi glorioso, segundo os tripulantes. Porém, uma parte da missão assustou os astronautas: a reentrada na atmosfera terrestre a velocidades extremas. Dessa forma, o escudo térmico da cápsula Orion recebeu destaque especial pelos engenheiros e astronautas que analisaram o desempenho durante a missão.
Retorno do Artemis II e experiência dos astronautas
O comandante Reid Wiseman falou pela primeira vez em detalhes sobre a missão durante a coletiva realizada no Johnson Space Center, em Houston. Além disso, revelou ao The Associated Press que tem estado tão ocupado desde o retorno que não teve tempo para olhar para a Lua, muito menos para observar a Cratera Carroll, nome sugerido pela tripulação em homenagem à sua falecida esposa.
Wiseman, o piloto Victor Glover, Christina Koch e Jeremy Hansen, do Canadá, lançaram rumo à Lua em 1º de abril. Dessa forma, constituíram a primeira tripulação lunar da NASA em mais de um século e, com certeza, a mais diversa até agora.
Segundo os pesquisadores da NASA, os astronautas se tornaram os viajantes mais distantes de todos os tempos. Consequentemente, quebraram o recorde anterior da Apollo 13 ao contornarem o lado oculto da Lua. Portanto, avistaram características lunares nunca antes vistas pelo olho humano.
O lado glorioso e o lado assustador da missão
“Estar 252.000 milhas de distância de casa foi a coisa mais majestosa e deslumbrante que os olhos humanos jamais presenciarão”, disse Wiseman em entrevista. Entretanto, voltar pela atmosfera a 39 vezes a velocidade do som “é assustador e arriscado”.
Por essa razão, o comandante sentiu saudade de casa no meio do voo. “Você simplesmente quer abraçar seus filhos e quer que eles saibam que você está seguro”, afirmou. Além disso, suas duas filhas, que tiveram ansiedades durante a jornada, puderam finalmente relaxar após o retorno seguro.
O espetáculo de um eclipse lunar total adicionou ainda mais admiração à experiência. Dessa forma, uma fotografia da Lua iluminada pelo Sol durante o eclipse foi capturada por câmaras da nave Orion. No entanto, esses momentos de beleza foram contrabalanceados pelo perigo real do retorno.
Análise do escudo térmico após retorno do Artemis II
A cápsula Orion, que a tripulação nomeou de Integrity, pousou no Oceano Pacífico na sexta-feira passada, encerrando a viagem de quase 10 dias. Wiseman informou que ele e Glover “talvez viram dois momentos de perda de escurecimento” no escudo térmico enquanto a Integrity mergulhava pela parte mais rápida e quente da reentrada.
Assim que estavam a bordo do navio de recuperação, a tripulação examinou a parte inferior da cápsula tão bem quanto possível, inclinando-se para verificar sinais de dano. Consequentemente, identificaram uma pequena perda de material queimado no ombro, onde o escudo térmico encontra a cápsula.
“Para quatro humanos olhando para o escudo térmico, parecia maravilhoso para nós. Parecia ótimo e aquela volta foi realmente incrível”, disse Wiseman. Portanto, a NASA planeja conduzir análises detalhadas da estrutura nos próximos dias.
Comparação com voos anteriores de teste
O escudo térmico do primeiro teste do Artemis em 2022, sem tripulantes a bordo, retornou tão marcado e danificado que atrasou o Artemis II em meses, se não anos. Por exemplo, as análises mostraram que novos processos de fabricação precisavam ser implementados para melhorar o desempenho.
Dessa forma, em vez de refazer o escudo completamente, a NASA optou por uma abordagem diferente que se mostrou altamente eficaz. Além disso, o desempenho superior desta missão coloca a agência em posição muito melhor para futuras operações lunares.
“Vamos analisar cada detalhe, não apenas cada molécula, provavelmente cada átomo deste escudo térmico”, afirmou Wiseman cautelosamente. Consequentemente, as lições aprendidas com o Artemis II fornecerão dados críticos para melhorar ainda mais as futuras cápsulas Orion destinadas a pousos tripulados na Lua.
Matéria original: https://www.sciencealert.com/artemis-ii-astronauts-say-returning-home-was-glorious-but-one-part-was-scary






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