Pesquisadores descobrem o motivo de casos mortais de leptospirose

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Nova pesquisa da Escola de Saúde Pública de Yale e da Fundação Oswaldo Cruz sobre a leptospirose, uma infecção bacteriana amplamente disseminada por ratos, lança luz sobre como a doença causa a morte e descobre um tratamento potencialmente novo.

A leptospirose continua a ser uma importante ameaça para a saúde das populações empobrecidas nos países em desenvolvimento, causando mais de um milhão de doenças e 60.000 mortes por ano.

As razões pelas quais a leptospirose causa manifestações que ameaçam a vida, tais como hemorragia pulmonar e insuficiência renal aguda, têm sido mal compreendidas. Os pesquisadores analisaram o transcriptoma, ou o espectro de moléculas de RNA mensageiro expressos de pacientes com leptospirose, para entender por que alguns indivíduos morrem e outros sobrevivem após a infecção.

Catelicidina

Os pacientes que morreram de leptospirose tiveram um defeito na expressão do gene que codifica um peptídeo antimicrobiano, a catelicidina, que é capaz de matar as bactérias, descobriram os pesquisadores. Em contraste, os sobreviventes foram capazes de montar uma resposta vigorosa à infecção como exemplificado pela expressão de genes que codificam a catelicidina assim como aqueles que desempenham um papel na imunidade adaptativa tal como a apresentação de antígeno e produção de imunoglobulina.

A maioria dos casos de leptospirose e mortes ocorrem entre moradores de favelas urbanas e agricultores de subsistência rural que vivem em ambientes com mau saneamento e onde o contato com ratos e outros animais abrigam o patógeno bacteriano em comum. Somente no Brasil, mais de 10 mil casos são relatados a cada ano durante os surtos sazonais da doença em comunidades.

O estudo também abriu o potencial para futuros estudos para continuar a analisar e desenvolver catelicidina ou terapias de anticorpos como novos tratamentos para reduzir a infecção nos mais graves pacientes com leptospirose.

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Para confirmar se a catelicidina era de fato um fator chave na resposta imune à leptospirose, os pesquisadores estudaram o uso da molécula em um modelo animal. Eles descobriram que a administração de catelicidina conferiu proteção significativa contra a leptospirose letal, indicando que a catelicidina pode ter potencial valor terapêutico em seres humanos.

“Nossas descobertas contribuem para uma melhor compreensão da patogênese de uma doença tão importante”, disse Dr. Wunder. “Embora estudos adicionais sejam necessários, esse conhecimento pode nos fornecer novos tratamentos potenciais para uma doença que tem um grande impacto social e econômico, especialmente em populações empobrecidas em todo o mundo”.

Os achados foram publicados na revista PLOS Pathogens.

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