Introdução aos Efeitos dos Psicodélicos no Cérebro
Uma quantidade crescente de pesquisas investiga como psicodélicos podem ser usados para tratar depressão e outros transtornos. Além disso, um novo estudo destaca uma “impressão digital neural” comum em cinco drogas psicodélicas conhecidas.
O Estudo e as Substâncias Avaliadas
Normalmente, os efeitos dessas drogas são analisados em grupos pequenos e isoladamente. Portanto, a equipe internacional de pesquisadores responsável pelo estudo buscou entender melhor os efeitos delas como um grupo. Foram analisados cinco psicodélicos: psilocibina, LSD (Lysergic Acid Diethylamide), mescalina, DMT (dimetiltriptamina) e ayahuasca.
Utilizando exames fMRI de pessoas que consumiram essas substâncias, os pesquisadores identificaram dois padrões compartilhados: maior comunicação entre redes cerebrais distintas e redução seletiva de conexões dentro de algumas redes específicas.
Padrões de Conectividade e Implicações
Danilo Bzdok, da Universidade McGill no Canadá, afirma que “esta é uma revolução na nossa forma de pensar sobre drogas psicodélicas”. Além disso, ele destaca que, pela primeira vez, percebe-se um denominador comum entre drogas antes consideradas totalmente distintas.
Foram compilados 11 conjuntos de dados separados, totalizando 267 participantes em cinco países e 519 exames cerebrais. A conectividade aumentada engloba redes corticais relacionadas ao pensamento complexo, assim como regiões ligadas à visão e ao tato – além disso, isso pode explicar as experiências sensoriais comuns durante as viagens psicodélicas.
Alterações em Regiões Profundas do Cérebro
Os pesquisadores também observaram mudanças em áreas mais profundas, como o caudado, putâmen e cerebelo. Tais regiões subcorticais influenciam a coordenação entre percepção e ação. Essa maior comunicação indica o achatamento da hierarquia cerebral normal.
Compreender esse padrão comum ajuda tanto no desenvolvimento de terapias quanto no estudo da biologia das alucinações.
Semelhanças entre Psilocibina e LSD
Entre os psicodélicos analisados, psilocibina e LSD apresentaram os padrões neurais mais semelhantes, o que está de acordo com suas estruturas químicas próximas e as experiências subjetivas que provocam nas pessoas.
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Importância dos Estudos Coletivos sobre Psicodélicos
Bzdok ressalta que essa abordagem oferece uma visão panorâmica de toda a comunidade científica sobre o tema. Isso permite conectar pontos antes impossíveis devido a restrições legais e preconceitos culturais relacionados ao uso dessas drogas.
Hoje, projectos de pesquisa seguros e controlados se tornam cada vez mais comuns. Por exemplo, pesquisas iniciais associam psicodélicos à modulação do sistema imunológico e a melhorias duradouras no humor. Além disso, há indícios de que essas substâncias podem diminuir o processo biológico de envelhecimento e até reduzir taxas de criminalidade.
Aplicações Futuras e Desafios
Sabemos que essas substâncias alteram o funcionamento mental. Entretanto, a questão é se podem ser desenvolvidas e aplicadas de forma a garantir benefícios, como no tratamento da depressão ou dos transtornos relacionados ao uso de substâncias.
Comparar essas drogas de forma integrada muda radicalmente a perspectiva. Os resultados do estudo desafiam pesquisas anteriores que indicavam quebra na conectividade cerebral; ao contrário, agora observa-se mudanças seletivas dentro das redes, juntamente com maior comunicação entre elas.
Os próximos passos envolverão testes mais padronizados, realizados em grupos maiores, para analisar essas impressões digitais cerebrais com mais detalhes.
Matéria original: https://www.sciencealert.com/scientists-found-a-common-brain-fingerprint-across-5-psychedelics






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