Pesquisadores descobriram que cafeína melhora significativamente o aprendizado de formigas, tornando-as muito mais eficientes na localização de alimentos. Um novo estudo publicado na revista iScience demonstra que formigas que consomem açúcar misturado com cafeína encontram rotas mais diretas para recompensas e aprendem mais rapidamente, abrindo novas possibilidades para o controle de pragas invasoras.
Como a cafeína afeta o aprendizado das formigas
Formigas que recebem pequenas doses de cafeína apresentam comportamento notavelmente melhorado. Segundo Henrique Galante, pesquisador doutorando da Universidade de Regensburg e primeiro autor do estudo, “quando você oferece um pouco de cafeína, isso as leva a caminhos mais retos e a alcançar a recompensa muito mais rápido”. Portanto, a substância não aumenta a velocidade do movimento, mas sim a capacidade cognitiva de navegação e memorização.
Os pesquisadores focaram na formiga argentina (Linepithema humile), uma das espécies invasoras mais prejudiciais do mundo. Dessa forma, os resultados podem transformar estratégias de controle de pragas que atualmente dependem de venenos tradicionais.
O experimento controlado com diferentes doses
A equipe científica realizou testes rigorosos utilizando quatro níveis diferentes de cafeína. As formigas atravessavam uma pequena ponte de Lego e encontravam uma solução de açúcar contendo 0, 25 ppm, 250 ppm ou 2.000 ppm de cafeína.
“A dose mais baixa é o que você encontra em plantas naturais, a dose intermediária é semelhante à de algumas bebidas energéticas, e a quantidade mais alta é equivalente à LD50 de abelhas — onde metade morre — então provavelmente é bem tóxica para elas”, explica Galante. Um total de 142 formigas participaram do experimento, completando quatro tentativas cada uma.
O sistema automatizado rastreou cada movimento das formigas, medindo tempo de deslocamento e a precisão das rotas. Entre os testes, as formigas podiam descarregar alimento coletado e a superfície era substituída para evitar que seguissem seus próprios rastros de feromônio.
Resultados: caminhos mais retos e aprendizado acelerado
Os resultados foram impressionantes. Formigas que receberam apenas açúcar mostraram pouca melhoria ao longo do tempo, indicando aprendizado limitado. Entretanto, aquelas que consumiram doses baixas ou moderadas de cafeína se tornaram rapidamente muito mais eficientes.
Com 25 ppm de cafeína, o tempo de forrageamento diminuiu 28% a cada visita. Na dose de 250 ppm, a melhoria alcançou 38%. Por exemplo, uma formiga que inicialmente levava 300 segundos para alcançar a recompensa conseguiu reduzir esse tempo para 113 segundos com a dose menor e apenas 54 segundos com a dose intermediária até a tentativa final.
Aplicações revolucionárias no controle de formigas invasoras
As formigas argentinas causam danos e custos enormes em todo o mundo. Consequentemente, as estratégias de controle convencionais com iscas envenenadas frequentemente falham. As colônias podem ignorar as iscas ou abandoná-las antes da disseminação eficaz do veneno.
“A ideia era encontrar uma forma cognitiva de fazer as formigas consumirem mais das iscas venenosas que colocamos no campo”, diz Galante. Além disso, pesquisas anteriores já demonstravam que cafeína aprimora o aprendizado em abelhas, sugerindo que o efeito poderia ser replicado em formigas.
A estratégia funciona assim: quanto mais rapidamente as formigas encontram e retornam às iscas, mais rastros de feromônio deixam. Dessa forma, mais nestmates são atraídas para o local, acelerando a disseminação do veneno na colônia antes que as formigas percebam o perigo.
O potencial futuro dessa descoberta
Embora o estudo tenha sido conduzido em laboratório, as implicações para o controle de pragas são significativas. Entretanto, pesquisas adicionais serão necessárias para testar a efetividade dessa abordagem em ambientes naturais com colônias reais.
A combinação de cafeína com iscas venenosas representa uma abordagem inovadora que explora a biologia cognitiva dos insetos. Por exemplo, outras substâncias que melhoram o aprendizado também poderiam ser testadas para otimizar a eficácia do controle de pragas invasoras.
Matéria original: https://www.sciencedaily.com/releases/2026/04/260418042817.htm






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