Dois cetáceos percorreram distâncias nunca antes registradas entre a Austrália e o Brasil, desafiando tudo o que os pesquisadores acreditavam saber sobre o comportamento migratório dessas espécies. A descoberta, publicada na revista Royal Society Open Science, revela que as populações de baleias-jubarte são muito menos isoladas do que se pensava. Veja abaixo tudo sobre essa recorde de migração das Baleias Jubarte.
Um feito praticamente impossível: O recorde de migração
Cientistas identificaram duas baleias distintas que realizaram travessias independentes entre os dois continentes. Uma delas nadou mais de 15 mil quilômetros, quebrando o recorde anterior mantido por uma baleia que havia viajado entre a Colômbia e Zanzibar.
“É um evento muito raro, mas demonstra incrivelmente bem o quanto esses animais conseguem se deslocar”, afirmou Phillip Clapham, ex-diretor do programa de pesquisa de baleias da NOAA, que não participou do estudo.
A identificação foi possível graças a um método inovador que combinou tecnologia de reconhecimento visual com dedicação humana. Pesquisadores analisaram mais de 19 mil fotografias coletadas nos últimos quarenta anos por grupos científicos e cidadãos cientistas. O software de reconhecimento conseguiu identificar as baleias pelos padrões únicos de cores e bordas irregulares em suas caudas.
Como os cientistas rastrearam as baleias?
O desafio em acompanhar esses mamíferos marinhos reside em uma realidade simples: passam a maior parte de suas vidas submersas. As imagens coletadas mostram as baleias apenas no início e no fim de suas jornadas, deixando o trajeto exato como um mistério.
Os pesquisadores identificaram dois indivíduos diferentes em sítios de reprodução na Austrália oriental e Brasil em diferentes períodos, sugerindo que viajaram entre um lugar e outro. Diferentemente do que se conhecia sobre o comportamento desses animais, baleias-jubarte normalmente retornam aos mesmos locais onde nasceram para se reproduzir.
Por que deixaram o caminho conhecido?
A razão exata por trás dessas jornadas extraordinárias permanece obscura. Stephanie Stack, coautora do estudo pela Pacific Whale Foundation, ofereceu uma hipótese intrigante: as baleias podem ter encontrado outras congêneres em territórios alimentares compartilhados e simplesmente optado por não retornar para casa.
“Encontrar não apenas um, mas dois indivíduos que cruzaram entre Austrália e Brasil desafia o que pensávamos saber sobre como isoladas essas populações realmente são”, declarou Stack.
A descoberta ganha ainda mais importância diante das mudanças climáticas. À medida que os oceanos se aquecem, o alimento preferido das baleias, o krill, migra para regiões diferentes, potencialmente alterando para onde esses cetáceos viajam em busca de alimentação e reprodução.
Desafios no Hemisfério Norte
Para as baleias que vivem no Hemisfério Norte, jornadas desse porte são exponencialmente mais difíceis. Continentes maciços bloqueiam as rotas oceânicas, tornando travessias transcontinentais praticamente impossíveis. Essa configuração geográfica explica por que descobertas dessa magnitude ocorrem principalmente com espécies do Hemisfério Sul.
Os métodos de identificação utilizados nesta pesquisa prometem aprimorar significativamente o monitoramento futuro dessas populações de baleias conforme enfrentam um planeta em transformação climática acelerada.
Foto: Andre Estevez no Pexels
Matéria original: https://www.sciencealert.com/two-whales-just-broke-a-migration-record-scientists-didnt-expect






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