A Anthropic, empresa de inteligência artificial fundada por ex-pesquisadores do OpenAI, acaba de anunciar um acordo com a SpaceX que muda o jogo no setor. A parceria coloca toda a capacidade computacional do data center da SpaceX em Memphis, Tennessee, a serviço do Claude, o modelo de IA da Anthropic. O anúncio foi feito pelo CEO Dario Amodei durante a conferência Code with Claude 2026, em São Francisco.
O que muda para os usuários do Claude?
Os limites de uso do Claude Code dobraram para assinantes dos planos Pro e Max. Antes, esses usuários tinham uma janela de cinco horas para trabalhar; agora têm dez. O tempo de espera no horário de pico, que costumava reduzir a disponibilidade, foi completamente eliminado. Para quem usa a API com o modelo Opus, Anthropic também aumentou os limites operacionais.
Esses aumentos não são cosméticos. Significam que desenvolvedores e empresas poderão fazer muito mais com o Claude em menos tempo, sem aqueles frustrantes períodos de espera que interrompem o fluxo de trabalho.
Gigawatts de poder computacional chegam ao mercado
SpaceX colocou à disposição mais de 300 megawatts de capacidade computacional através do Colossus 1, seu supercomputador de última geração. A máquina contém mais de 220 mil GPUs NVIDIA, incluindo processadores H100, H200 e os novíssimos GB200. Para colocar em perspectiva, isso representa uma quantidade massiva de poder de processamento que permite treinar e rodar sistemas de IA em escala que, até meses atrás, só existia em teoria.
Mas há mais. Anthropic e SpaceX expressaram interesse em construir juntas data centers orbitais, capazes de oferecer múltiplos gigawatts de capacidade computacional no espaço. É aquela velha escassez de energia que persegue o setor de IA desde que modelos ficaram grandes demais: não há terra, água ou energia suficiente no planeta para alimentar os servidores que treinarão a próxima geração desses sistemas. Colocar computadores no espaço é uma solução radicalmente diferente.
O plot twist: Elon Musk muda de ideia
Há alguns meses, Elon Musk era público crítico da Anthropic. Em fevereiro deste ano, ele tuitou que “Anthropic odeia a civilização ocidental”, citando uma afirmação falsa atribuída a um oficial do governo Trump sobre as práticas éticas da empresa. Mas em comunicados recentes, o tom mudou completamente.
Musk afirmou que passou uma semana inteira com membros seniores da Anthropic para entender como eles garantem que o Claude seja benéfico para a humanidade. Segundo ele, ficou impressionado. Não está claro se a crítica anterior foi motivada por desentendimento genuíno ou disputa comercial, mas o acordo sugere que, pelo menos por enquanto, as diferenças foram deixadas de lado.
O contexto maior: corrida por poder computacional
Este não é o primeiro acordo do tipo que Anthropic fechou. Microsoft e Amazon já haviam assinado parcerias semelhantes, colocando sua infraestrutura a serviço do Claude. O que distingue o acordo com SpaceX é a escala extraordinária e a ambição de explorar computação orbital. Enquanto concorrentes como OpenAI e Google também buscam parceiros para ampliar sua capacidade, Anthropic aposta claramente em múltiplas fontes de energia computacional ao mesmo tempo.
A demanda por IA continua crescendo, e os modelos de linguagem grandes consomem uma quantidade fenomenal de energia. Aumentar limites de uso sem aumentar infraestrutura quebraria o sistema. Este acordo com SpaceX resolve isso, pelo menos temporariamente, e abre a porta para soluções mais criativas.
O futuro provavelmente incluirá mais parcerias como essa, e talvez, de fato, data centers flutuando acima da Terra.
Foto: Jeswin Thomas no Pexels
Matéria original: https://arstechnica.com/ai/2026/05/anthropic-raises-claude-code-usage-limits-credits-new-deal-with-spacex/






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