Um estudo publicado no periódico Neurology da Academia Americana de Neurologia identificou uma associação entre o consumo regular de certos adoçantes artificiais e declínios na memória e nas funções cognitivas equivalentes a aproximadamente 1,6 anos de envelhecimento cerebral. A pesquisa foi liderada pela Dra. Claudia Suemoto, professora de geriatria da Faculdade de Medicina da USP e coordenadora do maior banco de cérebros da América Latina. O achado coloca em dúvida a segurança de produtos consumidos por milhões de brasileiros diariamente.
Os adoçantes analisados incluem aspartame, sacarina, acessulfame-K, eritritol, xilitol e sorbitol, ingredientes presentes em refrigerantes diet, alimentos ‘zero açúcar’ e adoçantes de mesa. A aprovação regulatória desses compostos, incluindo pela FDA norte-americana, foi baseada principalmente em estudos de curto prazo sobre segurança básica, não sobre efeitos cognitivos ao longo de anos.
Como o estudo foi conduzido?
Os pesquisadores brasileiros observaram o consumo de seis adoçantes específicos e mediram desempenho cognitivo nos participantes, buscando correlações com a velocidade de declínio em memória e pensamento. A redução observada nas capacidades cognitivas foi proporcional a quase dois anos de envelhecimento cerebral natural, um resultado considerado mensurável e não apenas marginal. Os detalhes completos sobre tamanho da amostra e critérios de inclusão constam na publicação original em Neurology.
A Dra. Suemoto é epidemiologista especializada em demência e envelhecimento cerebral, e tem acesso direto a tecido cerebral humano por meio do banco de cérebros que coordena, o que coloca sua equipe em posição relevante para interpretar esse tipo de dado.
Associação não é o mesmo que causa provada
O estudo encontrou uma correlação, não uma relação de causa e efeito. Pessoas que já apresentam declínio cognitivo precoce podem, por razões diversas, consumir mais alimentos diet. Outros fatores de estilo de vida também podem estar envolvidos. Os dados sugerem um sinal de alerta, não uma condenação definitiva dos adoçantes.
Estudos observacionais desse tipo são um ponto de partida para investigações mais controladas, não uma conclusão final. Ensaios clínicos randomizados e estudos com períodos de acompanhamento mais longos, em populações diversas, seriam necessários para estabelecer causalidade.
O que isso muda na prática para quem usa adoçantes?
Para pessoas com diabetes, substituir adoçantes por açúcar comum traz riscos comprovados ao controle glicêmico. A decisão não é simples. O mais razoável, à luz dos dados disponíveis, é reduzir o consumo quando possível e discutir alternativas com um profissional de saúde, especialmente quem usa esses produtos por indicação médica.
A pesquisa da USP se soma a um conjunto crescente de estudos que questiona se a segurança dos adoçantes artificiais foi avaliada de forma completa nas aprovações regulatórias originais. Até que estudos mais robustos esclareçam a relação, a incerteza permanece.
Pessoas com condições de saúde que usam adoçantes por recomendação médica devem consultar seu médico antes de fazer qualquer alteração no consumo.
Foto: Leeloo The First no Pexels
Fonte: https://www.medicalnewstoday.com/articles/artificial-sweeteners-and-brain-aging-what-we-know-so-far






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