Introdução: O voo dos morcegos e o senso de direção
Em uma ilha remota no Oceano Índico, seis morcegos, cuidadosamente monitorados, voaram sob um céu estrelado. Enquanto eles cruzavam o território de sete acres, dispositivos implantados em seus cérebros enviavam dados para um grupo de neurocientistas, atentos apesar do cansaço. Além disso, esses pesquisadores buscavam compreender como esses mamíferos voadores, cujo cérebro tem semelhanças com o nosso, desenvolvem seu senso de direção ao navegar em um ambiente novo.
Rede neural e o mapa mental dos morcegos
A pesquisa, publicada na Science, revelou que os morcegos utilizam uma rede de células cerebrais responsável por informar sua orientação ao redor da ilha. Entretanto, seu “compasso interno” não é calibrado pelo campo magnético da Terra ou pelas estrelas do céu. Ao contrário, eles são guiados por pontos de referência que constroem um mapa mental do ambiente.
Estas experiências inéditas na vida selvagem com mapeamento mamífero confirmam resultados de laboratório acumulados por décadas e apoiam uma das duas teorias rivais sobre como o compasso neural interno se ancora ao ambiente.
Paul Dudchenko, neurocientista comportamental da Universidade de Stirling no Reino Unido, que não participou do estudo, afirmou: “Agora entendemos um princípio básico de como o cérebro dos mamíferos funciona sob condições naturais, reais. Será um artigo discutido por 50 anos.”
Novas descobertas e a importância do estudo em ambientes naturais
Experimentos subsequentes, ainda não publicados, mostram que outras células essenciais para a navegação codificam muito mais informações na vida selvagem do que nos laboratórios. Portanto, isso enfatiza a necessidade de testar teorias neurobiológicas em cenários reais.
Um compasso interno também no cérebro humano?
Neurocientistas acreditam que um compasso interno semelhante, formado por neurônios chamados “células de direção da cabeça”, pode existir no cérebro humano — embora ainda não tenham sido localizadas. Caso sejam encontradas no futuro, elas explicariam sensações comuns, como nos perdermos temporariamente e logo nos reorientarmos. Além disso, poderiam esclarecer por que algumas pessoas têm mais dificuldade em encontrar o caminho.
Histórico da descoberta do senso de direção nos mamíferos
Como o cérebro dos mamíferos navega no ambiente fascina cientistas há pelo menos meio século. O estudo desse tema levou à descoberta de fenômenos extremamente interessantes, muitos agraciados com Prêmios Nobel, explica Nanthia Suthana, neurocientista da Universidade Duke.
Na década de 1970, John O’Keefe, neurocientista do University College London, descobriu células no hipocampo de ratos — a região do cérebro responsável pela memória — que respondiam a localizações específicas nos recintos dos roedores. Ele as chamou de “células de lugar”.
Décadas depois, May-Britt Moser e Edvard Moser, dariam outro passo na Universidade Norueguesa de Ciência e Tecnologia ao encontrar, em uma área próxima do cérebro, células que criam um sistema de coordenadas, as chamadas “células de grade”. Os três pesquisadores receberam o Prêmio Nobel por seus achados.
Conclusão e implicações
Portanto, os estudos sobre o senso de direção em animais fornecem insights valiosos não apenas para a neurociência, mas também para compreender o comportamento humano. Para se aprofundar em como a mente pode influenciar nossa saúde e bem-estar, recomendo a leitura sobre reduzir o estresse e tratamentos de ansiedade, temas que também exploram as complexidades cerebrais.
Matéria original: https://www.quantamagazine.org/how-animals-build-a-sense-of-direction-20260121/






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