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Cérebro aprende em segundos com novo tipo de plasticidade neural

Neurocientistas descobrem novo mecanismo de plasticidade neural que permite aprender em segundos. Conheça como funciona a BTSP.

plasticidade neural

Neurocientistas descobriram um novo mecanismo de plasticidade neural que permite ao cérebro aprender a partir de uma única experiência em apenas alguns segundos. Chamado de plasticidade sináptica na escala comportamental (BTSP), este processo ocorre no hipocampo — a região responsável pela memória — e envolve mudanças eléctricas que afectam múltiplos neurónios simultaneamente.

Esta descoberta, descrita em dois artigos recentes publicados em The Journal of Neuroscience e Nature Neuroscience, oferece novas pistas sobre como o cérebro se reorganiza durante o aprendizado.

O que é plasticidade neural e como funciona

Plasticidade neural refere-se à capacidade do cérebro de se remodelar em resposta às experiências. Cada momento que vivemos — uma conversa, uma curva que viramos, um susto que sentimos — desencadeia reacções em cascata no cérebro: químicos são libertados, electricidade flui através das células, as conexões entre neurónios se fortalecem, e os nossos modelos mentais se actualizam.

Christine Grienberger, neurocientista na Universidade Brandeis, explica que o cérebro permanece incrivelmente plástico e permanece assim durante toda a vida humana. Esta flexibilidade é o que nos permite aprender a memorizar histórias, navegar em cidades desconhecidas, aprender idiomas novos e evitar tocar em superfícies quentes.

Contudo, durante a maior parte da história da neurociência moderna — cerca de 150 anos — os cientistas acreditavam que o cérebro adulto era imutável. Santiago Ramón y Cajal, considerado o fundador da neurociência moderna, escreveu em 1928 que nos centros adultos os caminhos neurais são algo fixo, terminado, imutável. Esta concepção prevaleceu até meados do século XX.

A descoberta da plasticidade sináptica na escala comportamental (BTSP)

A plasticidade neural tradicional ocorre através de mecanismos que levam minutos ou horas. Mas o novo tipo de plasticidade neural — BTSP — funciona numa escala muito mais rápida: segundos. Este intervalo de tempo é precisamente o necessário para capturar o processo comportamental de aprender com uma única experiência.

Este mecanismo é causado por mudanças eléctricas que afectam simultaneamente múltiplos neurónios no hipocampo. O processo desdobra-se durante apenas alguns segundos, permitindo que o cérebro consolide memórias de forma praticamente imediata.

Daniel Dombeck, neurocientista na Universidade Northwestern que não participou no desenvolvimento desta teoria, descreve BTSP como um mecanismo forte e poderoso que pode levar à formação imediata de memória. Segundo Dombeck, é algo que faltava no campo há muito tempo.

Por que esta descoberta é importante para a neurociência

A compreensão de BTSP preenche uma lacuna importante na nossa compreensão do aprendizado. Antes desta descoberta, os neurocientistas sabiam que o cérebro podia mudar, mas não tinham uma explicação completa para como aprendemos tão rapidamente de experiências isoladas.

Attila Losonczy, neurocientista na Universidade do Texas Southwestern Medical Center, afirma que a plasticidade neural é uma das últimas fronteiras do cérebro. Se compreendermos completamente como funciona, acho que damos um passo importante na compreensão de como o cérebro funciona.

Esta descoberta aproxima-nos de respostas fundamentais: Como convertemos experiências em memórias? Como o cérebro prioriza o que aprender? Como é que uma única situação traumática pode deixar marcas duradouras? As respostas residem em mecanismos como BTSP.

Implicações para o futuro da pesquisa neurológica

A compreensão de BTSP abre portas para investigações futuras em áreas como reabilitação após lesões cerebrais, tratamento de transtornos de memória e optimização da aprendizagem. Se conseguirmos manipular este mecanismo, poderemos potencialmente melhorar a forma como as pessoas aprendem e recuperam após danos neurológicos.

Os neurocientistas continuam a desvendar as regras fundamentais que descrevem como a plasticidade neural reorganiza as conexões cerebrais. Cada descoberta nos aproxima de uma compreensão mais completa do órgão mais complexo do corpo humano.

Matéria original: https://www.quantamagazine.org/a-new-type-of-neuroplasticity-rewires-the-brain-after-a-single-experience-20260424/

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