Macacos Japoneses e o Banho em Águas Termais
Assim como os humanos, alguns primatas também gostam de se reunir em fontes termais. Os macacos japoneses (Macaca fuscata), conhecidos como “macacos da neve”, concentram-se em fontes naturais para passar horas imersos na água quente. Eles preferem temperaturas em torno de 41 °C, que contrastam fortemente com as baixas temperaturas de seus habitats montanhosos no inverno.
Benefícios e Riscos do Banho em Águas Quentes
Além de proporcionar aquecimento e alívio do estresse, banhar-se nessas águas pode impactar a carga de parasitas dos macacos. Por um lado, as fontes quentes podem expor os banhistas a bactérias patogênicas, como a Acanthamoeba spp., responsável por causar encefalite. Entretanto, a água quente pode eliminar piolhos ou fortalecer o sistema imunológico dos primatas, facilitando o combate a essas ameaças.
Estudo Sobre Parasitas em Macacos de Jigokudani
Pesquisadores da Universidade de Kyoto, liderados pelo biólogo conservacionista Abdullah Langgeng, do Wilder Institute no Canadá, analisaram a carga de parasitas em macacos no Parque dos Macacos Jigokudani, em Nagano, Japão. Eles coletaram amostras fecais de 16 fêmeas adultas — 9 delas que costumam se banhar e 7 que não participam dos banhos — para comparar a presença de parasitas internos. Além disso, monitoraram o comportamento de remoção de lêndeas como indicador da infestação por piolhos.
Resultados do Estudo e Implicações
Os cientistas descobriram que a quantidade de parasitas intestinais, incluindo protozoários e vermes helmintos, era semelhante entre macacos que se banhavam e os que não se banhavam. Contudo, quatro tipos de bactérias — Methanobrevibacter, Granulacatella, Fusobacterium e Acinetobacter — estavam significativamente mais presentes nos macacos que evitavam o banho. Em relação aos piolhos, os primatas retiravam mais lêndeas da parte superior do corpo, sobretudo os que se banhavam, indicando que a água quente pode ter estimulado o deslocamento dos parasitas para regiões superiores.
Portanto, mesmo que o banho em fontes termais não tenha alterado estatisticamente a probabilidade de infecção por parasitas, ele provocou mudanças na abundância relativa dos parasitas internos e externos.
Comportamento e Interação com Parasitas
“O comportamento geralmente é considerado uma resposta ao ambiente”, explicou Abdullah Langgeng, o autor principal do estudo, “mas nossos resultados indicam que esse comportamento não afeta apenas a termorregulação ou o estresse: ele também modifica como os macacos interagem com parasitas e microrganismos que vivem sobre e dentro deles.”
Conclusão e Relevância para a Saúde Animal e Humana
Em suma, nesses ambientes naturais de fontes termais, o banho coletivo não aumenta o risco de doenças entre os macacos. Isso traz um alívio para quem se preocupa com a saúde em ambientes de contato social, como em tratamentos de ansiedade, que podem se beneficiar da imersão térmica — saiba mais sobre tratamentos de ansiedade. Além disso, a observação do comportamento social dos macacos fortalece nosso entendimento sobre interações biológicas, importante também para estudos envolvendo terapia celular contra o câncer e saúde humana.
Matéria original: https://nautil.us/hot-spring-bathing-doesnt-just-keep-japanese-monkeys-warm-1263900/





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