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DNA revela lula gigante escondida nas águas da Austrália

Pesquisadores australianos detectaram DNA de lula gigante usando análise ambiental. Descoberta revela milhares de espécies ainda desconhecidas nas profundezas do oceano.

Lula gigante (Architeuthis dux) nas profundezas do oceano ao largo da Austrália Ocidental, descoberta por análise de DNA ambiental

Pesquisadores australianos encontraram evidências de uma lula gigante vivendo off the coast of Western Australia usando uma técnica que não requer redes ou câmaras submarinas. O achado, publicado esta semana no journal Environmental DNA, abre uma janela para um mundo profundo que permanece largamente desconhecido.

A descoberta surpreendeu porque a Architeuthis dux raramente deixa rastros visíveis. Apesar de crescer até 5 metros de comprimento e possuir olhos do tamanho de pratos de jantar, a lula gigante vive em profundidades extremas e evita o contato com humanos.

Como cientistas rastrearam a lula sem vê-la

O segredo está na análise de DNA ambiental. Quando animais nadam, alimentam-se ou excretam, deixam fragmentos de material genético na água. Pesquisadores da Universidade Curtin coletaram mais de 1.700 litros de água do mar em diferentes profundidades ao longo dos cânions submarinos abruptos da Costa Ningaloo, na Austrália Ocidental.

Essa abordagem é revolucionária porque não perturba o ecossistema. Câmaras e estações de monitoramento podem provocar reações defensivas em espécies sensíveis e alterar comportamentos naturais. Redes tradicionais, por sua vez, frequentemente danificam criaturas frágeis das profundezas.

Mais do que apenas uma lula gigante nas águas australianas

A lula foi apenas o achado mais dramático. A análise do DNA revelou 226 espécies diferentes vivendo naquela região. Entre elas estavam a baleia-de-bico-de-Cuvier, recordista em mergulho entre mamíferos, e a raramente vista baleia-cachalote-pigmeia.

O time também identificou animais que não se pensava ocorrerem nas águas da Austrália Ocidental: o enorme tubarão-adormecido, a estranha enguia-sem-rosto e o enigmático peixe-snaggletooth-delgado, ampliando o que se sabia sobre a biodiversidade da região.

O que os pesquisadores ainda não conseguem explicar sobre a lula gigante

O mais intrigante vem depois. Parte significativa do DNA coletado não correspondia a nenhuma espécie conhecida. “Encontramos um número considerável de sequências genéticas que não se alinham perfeitamente com nada já registrado na literatura científica,” explicou Georgia Nester, coautora do estudo. “Isso não significa automaticamente que sejam espécies novas, mas sugere fortemente que existe uma biodiversidade de águas profundas vastíssima que estamos apenas começando a desvendar.”

A confirmação da lula gigante off Western Australia marcou um ponto de referência. Lisa Kirkendale, autora do estudo, afirmou que este é o primeiro registro de Architeuthis dux naquela região usando protocolos de DNA ambiental, e o registro mais setentrional da espécie no Oceano Índico Oriental.

Por que a descoberta da lula gigante importa agora

O método muda fundamentalmente como biólogos estudam ecossistemas profundos. Até agora, conhecer a vida nos abismos significava trazer espécimes à superfície, o que implica em morte certa para muitas criaturas e informações incompletas sobre seu comportamento natural.

Com a análise de DNA ambiental, os cientistas podem agora mapear comunidades inteiras sem nunca vê-las face a face. A técnica já demonstrou que o que sabemos sobre a distribuição de espécies marinhas é apenas a ponta do iceberg.

Ainda resta saber se aquele DNA misterioso pertence realmente a espécies desconhecidas pela ciência ou apenas a variantes genéticas ainda não catalogadas. Mas uma coisa é certa: os oceanos guardam muito mais do que as lulas gigantes que ocasionalmente encalham nas praias.

Matéria original: https://nautil.us/giant-squid-discovered-lurking-off-the-australian-coast-1280546/

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