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Por que voar para o leste piora o jet lag?

Jet lag afeta viajantes internacionais com consequências sérias. Entenda por que voar para o leste é pior e como luz controla seu relógio biológico.

Viajante cansado dormindo em avião após cruzar fusos horários e sofrer jet lag
Viajante cansado dormindo em avião após cruzar fusos horários e sofrer jet lag

Aqueles viajantes que cruzam múltiplos fusos horários conhecem bem a sensação desconcertante de chegar ao destino completamente cansados. O corpo pede para dormir durante o dia, mas à noite não consegue descansar Essa desconexão entre nosso relógio biológico e a hora local é conhecida como jet lag, e afeta milhões de pessoas anualmente.

O fenômeno ganhou seu nome oficial em 1966, quando o jornalista Horace Sutton descreveu os sintomas em um artigo do Los Angeles Times, comparando a sensação a uma ressaca severa. Mas a realidade por trás desse desconforto é muito mais complexa do que parece.

Como nosso corpo perde a hora?

Nosso relógio interno funciona em um ciclo ligeiramente superior a 24 horas. Quando viajamos rapidamente através de fusos horários — algo impossível antes da era da aviação comercial — nosso corpo não consegue acompanhar a mudança. Diferentemente de viagens de navio ou terrestre, que ocorriam lentamente o bastante para nosso ritmo circadiano se ajustar naturalmente, os aviões atravessam continentes em horas.

O Dr. Charles Czeisler, professor de medicina do sono na Escola Médica de Harvard, explica que essa é uma resposta completamente normal do nosso organismo. “Se o sistema circadiano está funcionando corretamente, você vai ter problema com jet lag”, afirma ele. Antes dos jatos, as pessoas viajavam tão lentamente que seus relógios biológicos nunca ficavam desalinhados.

Por que voar para o leste é pior?

Nem todos os voos afetam o corpo da mesma forma. Helen Burgess, professora do Laboratório de Pesquisa do Sono e Ritmo Circadiano da Universidade de Michigan, revelou um detalhe crucial: voar para o leste causa mais jet lag do que voar para o oeste.

A razão está na estrutura do nosso relógio biológico. Como ele funciona em um ciclo ligeiramente maior que 24 horas, é mais fácil para o corpo “ganhar tempo” (viajar para o oeste) do que “perder tempo” (viajar para o leste). “É um pouco mais difícil antecipar o horário”, explicou Burgess à Live Science.

Isso significa que alguém voando de São Paulo para Tóquio sofrerá mais jet lag do que alguém fazendo o caminho inverso, mesmo que a diferença de fusos seja idêntica.

Os perigos escondidos do desajuste horário

Muitos viajantes tratam jet lag como um incômodo menor, mas as consequências podem ser sérias. Czeisler apontou que quando os relógios avançam uma hora — criando essencialmente uma dose pequena de jet lag — há um aumento mensurável de acidentes de carro fatais.

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Dirigi logo após um voo longo é particularmente perigoso. A falta de sono é uma das principais causas de acidentes veiculares, e de fato, acidentes em estradas são a principal causa de morte não natural entre cidadãos americanos viajando no exterior.

Os efeitos psicológicos também preocupam pesquisadores. Czeisler menciona que mudanças circadianas podem “levar pessoas para mania ou depressão“. Um estudo registrou 186 pessoas admitidas em hospitais psiquiátricos no Aeroporto de Heathrow ao longo de dois anos, sofrendo de condições de saúde mental relacionadas a jet lag, como depressão e hipomania. Pesquisas adicionais sugerem que jet lag crônico pode aumentar o risco de distúrbios neurológicos.

Luz: a ferramenta mais poderosa

A melhor estratégia para combater jet lag envolve manipular a exposição à luz. “A luz é o sinal mais forte que altera o tempo do relógio”, afirmou Burgess. Mas o timing precisa ser perfeito.

Nosso corpo tem um “ponto de travessia” — aproximadamente duas a três horas antes do nosso horário normal de acordar — quando muda de interpretar a luz como noturna (causando sonolência) para matinal (causando alerta). Luz antes desse ponto nos torna mais alerta à noite, atrasando nosso relógio. Luz depois o avança.

Por exemplo, se você normalmente acorda às 6 da manhã, seu ponto de travessia ocorre por volta das 3 da manhã. Viajar seis horas à frente significa que quando você desembarca às 7 da manhã, seu corpo interno marca apenas 1 da manhã. Toda a luz da manhã que você recebe é interpretada como luz noturna, piorando o jet lag.

Estratégias práticas para se ajustar

Além de gerenciar cuidadosamente a exposição à luz — usando caixas de luz, dispositivos portáteis de fototerapia, ou óculos que bloqueiam luz azul em comprimentos de onda específicos (460 a 480 nanômetros) — existem outras táticas.

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Manter-se hidratado, evitar álcool e moderar a cafeína ajuda. Burgess recomenda “talvez apenas uma xícara de café” em momentos estratégicos, já que a cafeína tem uma meia-vida longa no organismo. Adaptar-se aos horários de refeição locais também acelera o ajuste.

Alguns viajantes consultam profissionais médicos sobre melatonina, que pode auxiliar em certos casos. Porém, a estratégia mais eficaz é planejar antes de viajar: ajustando sua exposição à luz gradualmente na semana anterior ao voo. Infelizmente, como nosso corpo só consegue antecipar cerca de uma hora e meia por dia, preparar-se adequadamente para um voo 10 horas à frente exigiria começar uma semana antes — algo impraticável para a maioria.

Foto: Mikhail Nilov no Pexels

Matéria original: https://www.livescience.com/health/what-is-jetlag-and-how-can-you-avoid-it

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