Por que sentimos frio no inverno?
Mais uma onda de frio se aproxima. Alguns enfrentam essa baixa temperatura com uma caminhada revigorante ao ar livre, enquanto outros preferem se aconchegar com um cobertor e biscoitos. Além disso, uma coisa parece comum quando as temperaturas caem: gostamos de falar sobre o quanto sentimos frio. Por exemplo, expressões como “Estou com tanto frio que sinto nos meus ossos” são comuns no inverno.
Existe verdade nisso?
No Reino Unido, a umidade relativamente alta mesmo em temperaturas baixas faz com que a umidade no ar afaste rapidamente o calor próximo ao nosso corpo. Além disso, nossa roupa absorve essa umidade, o que conduz o calor para fora do corpo. Por exemplo, a água transfere calor quase 70 vezes mais rápido que o ar.
Como o corpo reage ao frio?
O corpo funciona melhor em torno de 37°C, entretanto, as extremidades podem estar até 6°C mais frias. Além disso, existem variações dessa temperatura corporal conforme sexo, idade e estado de saúde. Embora os ossos não sintam frio diretamente, tendemos a perceber mais frio com o envelhecimento, e as mulheres costumam ser mais sensíveis ao frio do que os homens.
Como o frio afeta os ossos?
Os ossos não possuem os mesmos receptores sensíveis à temperatura que a pele tem, portanto eles não sentem o frio como nós. Isso acontece porque os principais ossos estão protegidos por camadas de músculos, tecidos conectivos e pele, então detectar a temperatura não é um fator essencial para eles.
No entanto, os ossos podem detectar mudanças de temperatura, especialmente o resfriamento, por meio dos nervos na camada externa do osso, chamada periosteo. Essa camada possui uma rede de neurônios que detecta distorções ou lesões nos tecidos ósseos subjacentes.
Além disso, a exposição prolongada ao frio, por semanas, pode reduzir o comprimento dos ossos, diminuir sua espessura e reduzir a densidade mineral óssea. Portanto, o frio afeta diretamente a saúde dos ossos.
Efeitos do frio nos tecidos musculoesqueléticos
Outros tecidos musculoesqueléticos são ainda mais sensíveis às mudanças de temperatura e pressão. Por exemplo, o líquido sinovial que lubrifica as articulações torna-se mais espesso com a queda das temperaturas, o que dificulta e torna desconfortável o movimento das articulações. Isso é agravado em quem sofre de doenças articulares, como artrite reumatoide ou osteoartrite.
Além disso, o frio causa contração dos tecidos, tornando-os mais tensos e rígidos. Tendões e ligamentos aumentam sua rigidez. Consequentemente, os músculos precisam fazer mais força para movimentar os ossos, reduzindo o alcance dos movimentos. Esse efeito aumenta com a umidade, muito comum no Reino Unido durante o ano todo.
O papel da circulação sanguínea e do cérebro
Essas alterações acontecem juntamente com a redução do fluxo sanguíneo às extremidades. Esse mecanismo protege o núcleo do corpo para que a temperatura vital de aproximadamente 37°C se mantenha estável. Além disso, a diminuição do sangue nesses tecidos contribui para a contração dos mesmos.
Todas essas mudanças aumentam a pressão sobre as células receptoras dos ossos e tecidos próximos. Isso pode ativar os receptores de dor, que podem ser percebidos como a sensação de frio instalada nos ossos. Ademais, o cérebro também participa da sensação de frio.
No Reino Unido, os céus cinzentos normalmente acompanham o frio e a umidade. Por exemplo, Londres tem em média 3,4 horas de sol em dezembro, enquanto o estado americano do Colorado registra cerca de oito horas no mesmo mês.
Esses meses escuros de inverno no hemisfério norte fazem com que muitos não recebam luz solar suficiente para sintetizar vitamina D em níveis adequados.
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Matéria original: https://www.sciencealert.com/can-you-really-feel-the-cold-in-your-bones-an-anatomy-scientist-explains







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