A descoberta da ferramenta de madeira mais antiga
Escavações em uma mina a céu aberto na Grécia revelaram dois objetos de madeira com mais de 400 mil anos que parecem ter sido moldados como ferramentas por uma espécie desconhecida de humanos antigos. Além disso, essas descobertas representam as ferramentas de madeira mais antigas já encontradas.
Contexto e importância arqueológica
Os artefatos pré-históricos feitos de madeira são extremamente raros. Dirk Leder, arqueólogo do Escritório Estadual de Patrimônio Cultural da Baixa Saxônia, na Alemanha, ressalta que cada descoberta deste tipo é muito valiosa. Por isso, essas ferramentas fortalecem a hipótese de que nossos ancestrais extintos usaram ferramentas de madeira por milhões de anos.
Por exemplo, a pesquisadora Katerina Harvati, da Universidade de Tübingen, na Alemanha, destaca que esses artefatos podem representar o tipo mais antigo de ferramenta já utilizada pela humanidade. Isso porque a madeira se deteriora facilmente, o que dificulta sua preservação e identificação para os cientistas.
O sítio arqueológico Marathousa 1
A equipe de Harvati encontrou os artefatos no sítio chamado Marathousa 1, localizado na bacia de Megalópolis, no sul da Grécia. Este local foi identificado pela primeira vez em 2013, quando uma mina de lignito a céu aberto revelou camadas de sedimentos com quase 1 milhão de anos.
Portanto, o acesso a esses sedimentos permitiu explorar períodos históricos inacessíveis anteriormente. Durante as escavações entre 2013 e 2019, os arqueólogos também encontraram o esqueleto quase completo de um elefante de presas retas (Palaeoloxodon antiquus), que apresentava sinais claros de abate, além de restos de outras espécies aquáticas e terrestres e mais de 2.000 ferramentas de pedra.
Datação e condições climáticas
Os pesquisadores utilizaram vários métodos para datar a área, como a análise de mudanças no campo magnético terrestre e a datação da exposição de grãos à luz solar. Em 2024, eles concluíram que os artefatos têm cerca de 430 mil anos, uma época caracterizada por um dos piores episódios glaciares na Europa do Pleistoceno.
Entretanto, a bacia de Megalópolis provavelmente funcionou como um refúgio natural, onde o clima era frio, porém menos extremo.
Descrição das ferramentas em madeira
Dos 144 pedaços de madeira encontrados, a equipe identificou dois como ferramentas. A primeira é uma vara de 81 centímetros de comprimento feita do tronco de um amieiro. A maior parte da casca foi removida e marcas de corte e entalhe indicam que a madeira foi moldada intencionalmente. Um dos lados é arredondado, talvez funcionando como cabo, enquanto o outro está achatado, exibindo sinais de desgaste e lascamento.
Além disso, esta ferramenta provavelmente foi usada para cavar, por exemplo, para encontrar tubérculos subterrâneos comestíveis. Contudo, ela também pode ter tido outras funções. A presença da vara entre os ossos do elefante sugere que os hominídeos talvez a tenham usado para auxiliar no processamento da carcaça. Harvati admite que ainda não se sabe exatamente qual era o propósito principal da ferramenta.
Ferramenta secundária e seu mistério
A segunda ferramenta de madeira encontrada é um pequeno fragmento de salgueiro ou choupo, medindo 5,7 cm de comprimento por cerca de 1,2 a 1,5 cm de largura. Como a primeira, essa peça também teve a casca removida e apresenta marcas que indicam modelagem proposital.
Por exemplo, pode ter sido usada para reparar ou retocar ferramentas de pedra. Contudo, seu uso exato permanece desconhecido, caracterizando-a como um tipo completamente novo de ferramenta em madeira.
Conclusão
Essa descoberta não só amplia nosso conhecimento sobre como humanos antigos utilizavam recursos naturais, mas também instiga novas investigações sobre as primeiras tecnologias de ferramentas. Dessa forma, estudar ferramentas antigas, incluindo as de madeira, é essencial para entender a evolução humana.
Recentes avanços na terapia celular contra o câncer mostram que entender processos antigos pode inspirar inovações atuais. Além disso, a pesquisa sobre longevidade humana traz insights sobre a adaptação e resistência que talvez estejam relacionadas a práticas de nossos ancestrais.





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