O monte Etna acaba de ser reclassificado. Pesquisadores descobriram que este colosso siciliano não pertence a nenhuma das três categorias de vulcões conhecidas pela ciência. Isso força os geólogos a repensar completamente como vulcões funcionam na Terra.
Um estudo publicado em abril no JGR Solid Earth revela que Etna formou-se de um jeito bizarro, semelhante aos petit-spot, pequenos vulcões submarinos que crescem no fundo do oceano. A diferença é descomunal: enquanto esses vulcões submarinos mal alcançam dezenas de metros, Etna atinge 3.403 metros acima do nível do mar.
Como os vulcões eram classificados
Até agora, a ciência dividiu os vulcões em três tipos distintos. Os vulcões de dorsal mesoceânica nascem onde placas oceânicas se afastam e magma sobe do interior da Terra, criando nova crosta. Os vulcões intraplaca, como Yellowstone ou os das Ilhas Havaí, existem porque um ponto quente no manto terrestre provoca erupções concentradas num só lugar.
O terceiro tipo vive em zonas de subducção. Monte Rainier (Washington) e Monte Fuji (Japão) exemplificam esse padrão: formam-se na crosta continental, acima de zonas onde uma placa oceânica desliza sob o continente. A água dessa placa oceânica funde as rochas abaixo, alimentando os vulcões.
O quebra-cabeça de Etna
Etna fica na Sicília, numa zona onde a Placa Africana desliza sob a Placa Eurasiana. Mas aqui está o problema: o vulcão situa-se exatamente no topo da linha de colisão entre as placas, não numa posição continental típica como seus pares de subducção.
A química do magma complica ainda mais o mistério. A lava de Etna tem características de vulcões intraplaca, ricos em elementos como potássio e sódio. Nenhuma evidência aponta para um ponto quente sob a Sicília, mas lá está o vulcão comportando-se como se houvesse um.
Há outra estranheza: a história eruptiva de Etna segue um padrão invertido. No início, despejou pequenas quantidades de lava rica em sílica. Com o tempo, passou a vomitar volumes enormes de lava rica em metais alcalinos. Isso contraria o que a geologia esperaria, magma com muito derretimento deveria produzir lava silicosa em grandes volumes, enquanto rochas menos derretidas deveriam dar erupções pequenas.
A origem revelada
Pesquisadores liderados por Sébastien Pilet, da Universidade de Lausana, mapearam a química das camadas de lava ao longo da história de Etna. Descobriram que o magma brota de uma zona especial no topo do manto terrestre chamada zona de baixa velocidade, assim nomeada porque ondas sísmicas desaceleram ao passar por ali, indicando material mais derretido.
Essas zonas de baixa velocidade provavelmente existem em muitos lugares do planeta. O que torna Etna singular é que conseguiu aproveitar essa fonte de magma de um jeito que nenhum outro vulcão conhecido faz.
Por que isso importa
Sarah Lambart, petróloga da Universidade de Utah, confirmou o que esta pesquisa significa: “Isto representa de fato um novo tipo de vulcanismo.” A descoberta não é apenas curiosidade acadêmica. Compreender como Etna funciona abre a possibilidade de que outros vulcões, em outras partes do mundo, funcionem de maneiras não catalogadas até agora.
Vulcões fornecem dicas sobre a dinâmica interna da Terra. A estrutura das placas tectônicas, o movimento do manto, a composição das rochas profundas, tudo deixa rastros nas erupções. Etna agora prova que ainda há capítulos da história vulcânica terrestre que ninguém havia lido.
A questão que fica em aberto é perturbadora: se um vulcão tão óbvio, tão monitorado, tão famoso quanto Etna não se encaixa nas categorias que criamos, quantos outros mistérios vulcânicos ainda dormem à vista de todos?
Matéria original: https://www.livescience.com/planet-earth/volcanoes/mount-etna-is-like-no-other-volcano-on-earth-new-research-reveals






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