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Vasos de 2.000 anos revelam parasita que ainda causa diarréia

Vasos sanitários romanos de 100 d.C. revelam o Crypto, parasita que ainda causa diarréia global. Descubra como essa ameaça persistiu por milênios.

Cryptosporidium

Arqueólogos escavando em cidades romanas na Bulgária encontraram vasos sanitários de cerâmica com resíduos fossilizados que contêm a primeira evidência mundial de infecção humana por Cryptosporidium – um parasita que ainda hoje infecta milhões de pessoas, causando diarréia severa e cólicas abdominais.

Descoberta em Novae

Em acampamentos romanos do século I, perto do Danúbio, soldados usavam vasos de barro para necessidades fisiológicas. Quatro desses recipientes, encontrados nas cidades de Novae e Marcianopolis, preservaram vestígios minerais de urina e fezes. Análises de laboratório identificaram três patógenos: Entamoeba histolytica, Taenia (solitária) e o surpreendente Cryptosporidium parvum – apelidado de ‘Crypto’ na medicina moderna.

“A detecção do Crypto em dois vasos distintos indica que a infecção era comum entre os romanos”, explica Elena Klenina, autora principal do estudo publicado em npj Heritage Science. A equipe usou testes ELISA, técnica que detecta anticorpos em fluidos, similar aos exames utilizados hoje para diagnóstico de doenças infecciosas.

Por que a Crypto importa hoje

O Cryptosporidium é um parasita que infecta mais de 50 espécies de animais domésticos e selvagens. Quando suas oocistos contaminam água ou solo, podem infectar humanos. O que surpreende é que essa infecção só foi identificada em humanos há menos de 50 anos – em 1976. Agora sabemos que já circulava no Império Romano.

A descoberta revela um ciclo contínuo de transmissão: o parasita sobrevive em ambientes adversos por meses, resistente ao cloro usado em tratamento de água. Em 2022, surtos nos EUA e Europa mostraram que, mesmo com tecnologia moderna, o Crypto ainda desafia sistemas sanitários.

Legado sanitário e desafios

Os romanos tinham infraestrutura sanitária avançada para a época – mas não imune a parasitas. A presença de múltiplos patógenos em vasos sanitários indica que infecções gastrointestinais eram comuns entre soldados e civis. Curiosamente, o Cryptosporidium parece ter convivido com humanos por milênios sem reconhecimento científico até o século XX.

Hoje, o Crypto afeta principalmente crianças em países em desenvolvimento, causando milhões de casos anuais. A descoberta sugere que fatores como urbanização e proximidade com animais domésticos, já presentes na Roma antiga, são chaves para entender a evolução desse parasita.

Matéria original: https://www.livescience.com/archaeology/romans/poop-encrusted-chamber-pots-from-the-roman-empire-reveal-oldest-known-human-cases-of-crypto-parasite

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