Chimpanzés idosos também podem ter doença de Alzheimer

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Os pesquisadores descobriram sinais de doença de Alzheimer em 20 cérebros de chimpanzés idosos, reavivando um debate sobre se os ser humano é a única espécie que desenvolve tal condição.

Se os chimpanzés realmente sucumbem à doença de Alzheimer ou são imunes aos sintomas, apesar de também terem anormalidades cerebrais, não é claro.

Mas, de qualquer forma, o trabalho sugere que os chimpanzés possam ajudar os cientistas a entenderem melhor a doença e a lutar contra ela.

Um diagnóstico definitivo de Alzheimer inclui demência e duas distorções no cérebro: placas amilóides (acumulações de proteínas malformadas, conhecidos como péptidos beta amilóides), e emaranhados neurofibrilares, formados quando as proteínas tau aglomeram-se em filamentos longos que se torcem um ao outro como fitas.

Muitos outros primatas, incluindo macacos rhesus, babuínos e gorilas, também adquirem placas com envelhecimento, mas emaranhados de proteínas tau estão ausentes nessas espécies ou não se parecem completamente com aqueles vistos em seres humanos.

No novo estudo, pesquisadores liderados pela antropóloga biológica Dra. Mary Ann Raghanti, da Universidade Estadual de Kent em Ohio, voltaram para nosso parente mais próximo, os chimpanzés.

Em 2015, o Serviço de Peixes e Vida Selvagem dos EUA declarou todos os chimpanzés dos EUA em perigo, efetivamente encerrando todas as pesquisas invasivas neles.

O estudo

Mas graças a um centro recém-fundado que reúne cérebros de chimpanzés que morrem em jardins zoológicos ou centros de pesquisa, a equipe foi capaz de examinar os cérebros de 20 chimpanzés entre 37 e 62 anos – a idade mais antiga registrada para um chimpanzé, aproximadamente equivalente a um ser humano de 120 anos.

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Destes chimpanzés, 13 tinham placas amilóides e quatro também apresentavam os emaranhados neurofibrilares típicos de estágios mais avançados da doença de Alzheimer em humanos.

O estudo foi publicano na revista científica Neurobiology of Aging.

“Eu não estou surpreso por isso”, diz Dra. Lary Walker, neuropatologista do Centro Nacional de Pesquisa de Primatas Yerkes da Universidade Emory, em Lawrenceville, Geórgia, que não esteve envolvida no novo estudo.

Em 2008, Dra. Walker liderou uma equipe que encontrou placas e emaranhados tau em um estudo de um único chimpanzé de 41 anos que morreu de acidente vascular cerebral, embora a distribuição de placas e emaranhados do chimpanzé não se assemelhe àqueles em cérebros humanos com doença de Alzheimer.

Dra. Walker diz que o novo estudo o torna “certo de que o chimpanzé que observamos anteriormente não era uma exceção”.

Fonte: Science

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