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O Bonobo que Consegue Brincar de Faz de Conta

Descubra como Kanzi, o bonobo, demonstra imaginação, desafiando a ideia de que essa capacidade cognitiva seria exclusiva dos humanos.

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Introdução: Quebrando Barreiras entre Humanos e Grandes Primatas

Kanzi, o bonobo, surpreende novamente ao demonstrar uma habilidade rara: a imaginação. Essa capacidade cognitiva, por muito tempo considerada exclusiva dos humanos, começa a ser repensada por meio de estudos recentes. Além disso, essa descoberta reforça o quão próximas são as relações cognitivas entre humanos e grandes primatas.

O Contexto Científico por Trás da Descoberta

Desde os estudos pioneiros de Jane Goodall com chimpanzés, os etólogos observaram que grandes primatas podem realizar muitas ações semelhantes às humanas. Eles utilizam ferramentas, expressam empatia e fazem caretas, por exemplo. Entretanto, ainda restam dúvidas sobre os limites da cognição desses animais.

Portanto, um estudo recente publicado na revista Science por biólogos da Universidade Johns Hopkins apresenta resultados que mudam esse panorama. Os pesquisadores mostraram que um bonobo em cativeiro consegue brincar de fazer de conta — uma habilidade que implica imaginar situações que não estão presentes.

Kanzi e Seu Potencial Cognitivo

Kanzi, um bonobo de 43 anos conhecido por suas habilidades linguísticas, foi protagonista desse experimento. Ele foi o primeiro não humano a compreender o inglês falado e a se comunicar usando mais de 300 símbolos. Além disso, os pesquisadores aplicaram uma sessão com 18 tentativas, onde Kanzi escolheu corretamente entre dois frascos transparentes de spray: um vazio e outro cheio de suco, sendo recompensado com suco quando acertava.

Em seguida, os pesquisadores apresentaram a Kanzi dois copos transparentes e vazios. Eles fingiram enchê-los com suco, usando uma jarra vazia, e depois despejaram o conteúdo imaginário de um copo de volta para a jarra. Sem oferecer nenhuma recompensa, eles perguntaram “Onde está o suco?”. Kanzi escolheu o copo que continha o suco imaginário 68% das vezes — um resultado estatisticamente significativo e bem acima do acaso.

Experimentos Complementares

Além disso, outro teste solicitava que Kanzi escolhesse qual pote transparente continha uvas fingidas, após observar o pesquisador simular pegar a fruta de cada pote e esvaziar um deles. Mais uma vez, Kanzi escolheu o pote com as uvas imaginárias muito acima do esperado pelo acaso.

Implicações da Imaginação em Grandes Primatas

Esses comportamentos indicam que Kanzi consegue conceber objetos ausentes, o que levanta questões sobre se os comportamentos observados em primatas selvagens também se baseiam na imaginação. Por exemplo, chimpanzés fêmeas carregam gravetos, possivelmente imitando como as mães carregam seus filhotes.

Portanto, os autores do estudo concluem que “a capacidade de formar representações secundárias de objetos imaginários está dentro do potencial cognitivo, ao menos, de um primata enculturado e provavelmente remonta a 6 a 9 milhões de anos, aos nossos ancestrais evolutivos comuns”.

Considerações Finais

Essa descoberta representa um avanço significativo na compreensão das capacidades mentais dos grandes primatas. Além disso, ela abre portas para novas pesquisas sobre a cognição animal, influenciando áreas diversas, como o estudo da inteligência animal e a importância da empatia entre espécies.

Para saber mais acerca de outras descobertas revolucionárias no campo da ciência e da mente humana, confira também nosso conteúdo sobre terapia celular contra o câncer e seus impactos.

Matéria original: https://nautil.us/the-ape-who-could-play-make-believe-1265978/

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