Treinamento em Altitude: Benefícios e Limitações
Por décadas, corredores de elite viajaram pelo mundo para treinar em locais de alta altitude. Isso ocorre porque, quando o nível de oxigênio no ar é baixo, o corpo responde produzindo mais glóbulos vermelhos — células responsáveis por transportar oxigênio pelo organismo. Além disso, ao retornar ao nível do mar, essa maior capacidade de transporte de oxigênio pode melhorar significativamente o desempenho em endurance.
No entanto, o treinamento em altitude possui desafios consideráveis. Ele exige tempo, investimento financeiro e viagens longas, fatores que, para a maioria dos corredores do Maratona de Londres deste ano, simplesmente não são viáveis.
Investigando uma Alternativa: O Calor
Portanto, para nossa pesquisa, começamos a buscar uma alternativa mais acessível. Nosso foco voltou-se para outro fator ambiental: o calor. Atletas já utilizam exposições curtas ao calor — geralmente de sete a quatorze dias — para se preparar para competições em climas quentes.
Por exemplo, corredores que participam do Maratona de Londres em 2025 costumam se adaptar às condições de temperatura para melhorar o desempenho.
Entretanto, queríamos saber se uma exposição mais prolongada ao calor, de quatro a cinco semanas, poderia desencadear mudanças fisiológicas similares às observadas na altitude.
Metodologia: Banhos Quentes e Treinamento
Para isso, recrutamos um grupo de corredores de endurance bem treinados e pedimos que mantivessem seu treinamento habitual. A única alteração foi a adição de cinco banhos quentes semanais, durante cinco semanas.
Os banhos não foram realizados em equipamentos laboratoriais sofisticados. Pelo contrário, utilizamos banheiras domésticas comuns, com a temperatura da água mantida em 40°C por meio de termômetros simples e ajustes com água quente conforme necessário. Cada sessão durava 45 minutos e era feita logo após o treino.
Resultados: Aumento do Volume de Glóbulos Vermelhos e Capacidade Aeróbica
Antes e depois deste período, medimos diversos marcadores da fisiologia do endurance, incluindo volume de glóbulos vermelhos, estrutura cardíaca e consumo máximo de oxigênio (VO₂max) — considerado o padrão ouro para medir o condicionamento aeróbico.
O que descobrimos? Após cinco semanas de banhos quentes regulares, os corredores apresentaram aumento significativo no volume de glóbulos vermelhos. Isso indica que havia mais células transportadoras de oxigênio no sangue.
À primeira vista, isso pode surpreender, pois na altitude a produção de glóbulos vermelhos aumenta devido à menor disponibilidade de oxigênio no ar. Entretanto, no calor, a disponibilidade de oxigênio não está limitada, mas o calor afeta o sangue de forma diferente.
Após até uma única sessão de calor, o componente líquido do sangue, o plasma, se expande. Essa expansão dilui os glóbulos vermelhos, reduzindo temporariamente a concentração de oxigênio transportado no sangue.
O corpo percebe essa mudança e responde aumentando a produção de glóbulos vermelhos para restabelecer o equilíbrio. Com o tempo, o resultado é um aumento do volume plasmático e dos glóbulos vermelhos, o que significa mais sangue total e maior capacidade para transportar oxigênio.
Também observamos mudanças no coração. O treinamento de endurance costuma aumentar o tamanho do ventrículo esquerdo, principal câmara responsável por bombear o sangue. Após a exposição ao calor, esse volume cardíaco aumentou ainda mais, provavelmente devido ao sangue extra criado pela exposição térmica.
Essas mudanças combinadas melhoraram a capacidade aeróbica. Em média, o VO₂max dos corredores cresceu cerca de 4%, e eles alcançaram velocidades maiores em testes máximos na esteira.
Embora os resultados laboratoriais não traduzam diretamente o desempenho em corridas, ganhos dessa magnitude são relevantes para atletas treinados, especialmente porque ocorreram sem aumentos na intensidade ou volume do treinamento.
Importância para o Treinamento de Maratona
Para corredores e treinadores, as implicações são interessantes. Primeiro, a exposição ao calor pode oferecer uma forma de induzir mudanças benéficas no organismo sem o impacto adicional do aumento do exercício. Afinal, aumentar quilometragem ou intensidade sempre traz risco de lesões.
Além disso, banhos quentes impõem estresse cardiovascular sem sobrecarregar músculos e articulações.
Por exemplo, essa prática pode ser integrada a programas de treinamento para melhorar o desempenho de forma segura.
Considerações Finais
Esta descoberta abre novas perspectivas sobre estratégias acessíveis para melhorar o condicionamento aeróbico. Se você quer saber mais sobre saúde e formas naturais de reduzir o estresse no cotidiano, confira nosso artigo relacionado.
Para informações sobre outras condições preocupantes correlacionadas, como a doença renal e seus efeitos, também temos conteúdos detalhados.
Matéria original: https://www.sciencealert.com/hot-baths-could-boost-your-running-performance-study-finds






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