Cortar vastas áreas de floresta boreal e afundar as árvores derrubadas nas profundezas do Oceano Ártico pode remover até 1 bilhão de toneladas de dióxido de carbono da atmosfera a cada ano, segundo estudo recente. No entanto, essa prática pode trazer riscos para o ecossistema ártico.
Pesquisadores sugerem que árvores coníferas, propensas a incêndios florestais, poderiam ser cortadas e levadas pelos seis principais rios árticos, como Yukon e Mackenzie, até o oceano, onde afundariam em cerca de um ano. “Temos hoje uma floresta que captura muito carbono, mas o desafio é armazená-lo sem que ele se queime”, afirma Ulf Büntgen, da Universidade de Cambridge.
A humanidade precisa encontrar formas de remover o CO2 da atmosfera para compensar indústrias difíceis de eletrificar ou mesmo para começar a reduzir efetivamente os níveis atmosféricos de carbono. Máquinas de captura direta do ar são caras, e o plantio de árvores pode falhar caso elas morram ou queimem.
Empresas têm apostado em enterrar madeira para sequestrar carbono. Nos Estados Unidos, a empresa Running Tide afundou 25 mil toneladas de cavacos de madeira perto da Islândia, embora tenha sido acusada de prejudicar o meio ambiente e posteriormente tenha sido fechada.
A floresta boreal, que se estende pela Eurásia e América do Norte, armazena até 1 trilhão de toneladas de carbono entre madeira, solo e turfa — valor que pode crescer com o aumento do crescimento das plantas devido ao aquecimento global. Porém, incêndios florestais mais frequentes e intensos têm liberado esse carbono.
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Büntgen e colegas descobriram que madeira pode sobreviver por até 8 mil anos sem apodrecer ou liberar CO2 em lagos alpinos frios e com baixo oxigênio. Os grandes rios árticos exportam enormes quantidades de troncos, e Carl Stadie, do Instituto Alfred Wegener, estima que os driftwoods nas deltas desses rios armazenem 20 milhões de toneladas de carbono ou mais.
Se for possível explorar 30 mil quilômetros quadrados ao longo de cada rio anualmente — idealmente durante o inverno, para empilhar madeira sobre o gelo — e replantar a floresta, esse crescimento poderia absorver 1 bilhão de toneladas de CO2 por ano, explicam os pesquisadores.
Porém, Ellen Wohl, da Colorado State University, alerta que alguns rios norte-americanos ainda apresentam perda de biodiversidade mesmo um século após o transporte de madeira. “Passar uma grande massa de troncos pelo rio é como empurrar uma escova de aço dentro dele”, diz ela.
Além disso, se a madeira ficar presa em margens ou afluentes, pode causar inundações que descongelam o permafrost e estimulem a emissão de metano por micro-organismos. Merritt Turetsky, da Universidade do Colorado em Boulder, pondera: “Podemos ter uma situação em que a madeira promove o sequestro marinho, mas as inundações e o degelo na terra liberam carbono.”
Outra preocupação é que parte da madeira possa afundar em áreas não frias ou sem oxigênio suficiente para evitar a decomposição. Madeira flutuante congelada no gelo marinho pode ser carregada até as Ilhas Faroé.
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“No pior cenário, estaríamos desmatando enormes áreas de floresta que já armazenam carbono naturalmente”, alerta Stadie.
Roman Dial, da Alaska Pacific University, teme que essa proposta possa ser explorada comercialmente de forma abusiva e enfrentar resistências políticas dos mais diversos grupos.